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Após acordo de Lira e Gaspar, JHC defende autonomia política em vídeo

Vídeo publicado nas redes sociais reforça discurso de independência em meio à pressão política

A resposta do ex-prefeito de Maceió e pré-candidato ao governo de Alagoas, JHC (PSDB), à consolidação da aliança entre PL e União Progressista para a disputa majoritária ao Senado veio em forma de recado indireto — e calculado. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta terça-feira (2), o tucano destacou a própria “autonomia” política e criticou, sem citar nomes, figuras que dependeriam de terceiros para viabilizar candidaturas.

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A gravação reúne trechos de um discurso feito no domingo (31), durante agenda no município de Anadia. “Quando a gente chega através do povo, a gente tem autonomia para tomar decisões. Porque eu não tenho rabo preso com ninguém. E tem gente aí que é fantoche”, afirmou.

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A fala foi interpretada como reação direta ao movimento articulado por PL e União Progressista, que anunciaram, por meio de nota conjunta, a formação de uma chapa ao Senado, consolidando o eixo entre Arthur Lira (PP) e Alfredo Gaspar (PL).


				Após acordo de Lira e Gaspar, JHC defende autonomia política em vídeo

Até então, nos bastidores, era considerada provável uma aliança mais ampla da oposição ao grupo governista, com JHC encabeçando a disputa ao governo e tendo Lira e Gaspar como candidatos ao Senado. A presença de Gaspar ao lado de JHC em Anadia, inclusive, havia sido vista como sinal de reaproximação. No entanto, a reunião do PL no dia seguinte mudou o cenário ao formalizar o acordo com Lira sem incluir o nome do tucano.

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A publicação do vídeo, portanto, surge como uma sinalização política em meio à perda de protagonismo na formação da chapa majoritária. Tradicionalmente, cabe ao candidato ao governo liderar essa composição. Com o acordo firmado entre PL e União Progressista, aliados de Lira e Gaspar admitem que o movimento teve como objetivo “fechar qualquer possibilidade de composição ao Senado fora do que foi definido”, além de pressionar JHC a tomar uma posição clara.

Nos bastidores, três fatores ajudam a explicar a consolidação da aliança: a tentativa de evitar novas indicações ao Senado fora do eixo já estabelecido; o fortalecimento de Alfredo Gaspar junto ao bolsonarismo, especialmente com apoio de Lira; e a cobrança interna do PL por uma definição pública de JHC em relação ao campo da direita. A exigência de palanque para o presidenciável Flávio Bolsonaro, a definição de suplências e a escolha do vice também entram na equação.

Segundo aliados de Lira e Gaspar, o recado é direto: há abertura para a entrada de JHC na composição, mas sob as condições já estabelecidas. “Se quiser vir, terá que ser assim”, resumem interlocutores, indicando que o ex-prefeito precisaria, por exemplo, abrir mão de indicações próprias ao Senado, como a da senadora Dra. Eudócia (PSDB).

A leitura desse grupo é de que a falta de definição de JHC desgastou a relação. Há críticas à condução das negociações, descritas como inconsistentes. “De manhã é uma coisa, à tarde outra, no outro dia outra”, relatam. Também cresce a desconfiança de que o ex-prefeito possa, na prática, avaliar uma candidatura ao Senado, hipótese negada por seus aliados.

Do lado do PSDB, o discurso é de firmeza. O coordenador da campanha no Estado, Júnior Leão, afirmou que JHC “representa o desejo de mudança do povo alagoano” e não abrirá mão desse projeto. Ele reconhece que o acordo entre PL e União Progressista “esfriou momentaneamente” a possibilidade de composição ampla, mas pondera que as negociações podem seguir até as convenções partidárias, em agosto.

Ainda assim, admite que os entraves aumentaram, sobretudo diante do distanciamento entre JHC e Arthur Lira — apontado como o principal obstáculo político neste momento. Leão também rebate a narrativa de que o pré-candidato estaria blefando: garante que a disputa pelo governo está mantida e que não há intenção de recuo estratégico.

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