Rota dos Milagres: ossada, 19 desaparecidos e a ligação com o crime organizado
Casos envolvem jovens com possíveis vínculos com o tráfico de drogas e dívidas com facções

Um levantamento da Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas (SSP/AL), com apoio da Polícia Civil (PC) e da Diretoria de Inteligência da Polícia Militar (PM), revelou que todos os 19 casos de desaparecimento registrados entre 2022 e 2026 na região da Rota Ecológica dos Milagres — que abrange os municípios de Porto de Pedras, São Miguel dos Milagres e Passo de Camaragibe — estão direta ou indiretamente ligados ao tráfico de drogas e ao crime organizado.
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O estudo aponta que os desaparecimentos ocorrem em um contexto de crescente disputa entre facções criminosas que atuam no Litoral Norte. Pelo menos quatro grupos foram identificados na região: a Tropa do Kebinho e o Trem Bala, ambos ligados ao Comando Vermelho; o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção rival; e a Tropa dos Crias, oriunda de Pernambuco e também associada ao PCC.
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De acordo com as investigações, os desaparecidos têm histórico de envolvimento com atividades criminosas, vínculos com organizações ou dívidas relacionadas ao narcotráfico. As principais hipóteses apontadas pelas autoridades incluem execuções motivadas por disputas territoriais, cobranças de dívidas, punições internas e até desaparecimentos voluntários como estratégia de fuga.
“Esses indivíduos podem ter optado pela fuga como forma de sobrevivência, rompendo qualquer vínculo rastreável para não expor sua localização a grupos rivais. Mas não descartamos a possibilidade de que sejam vítimas de ações violentas no contexto dessas disputas”, destacou o secretário de Segurança Pública, Flávio Saraiva.


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Apesar da gravidade dos casos, um dado chama a atenção: nenhum dos desaparecidos é turista ou possui ligação com o setor turístico — fator considerado estratégico para a imagem da região, conhecida como um dos principais destinos do Estado. Segundo o secretário, isso reforça que os episódios estão restritos à dinâmica do crime organizado, sem impacto direto sobre visitantes.
Ainda assim, os casos recentes evidenciam o avanço da violência associada ao tráfico. Na última semana, uma ossada humana foi encontrada em uma área conhecida como Alto do Cruzeiro, em São Miguel dos Milagres. A Polícia Civil investiga se os restos mortais pertencem a algum dos jovens desaparecidos nos últimos anos.
Entre os episódios mais recentes está o desaparecimento do adolescente Andreas Denício Borges Barros, de 14 anos, ocorrido no dia 27 de fevereiro. Segundo familiares, o jovem havia quitado recentemente uma dívida relacionada a drogas e foi atraído para um local de onde não retornou. O caso reforça a linha investigativa de que o crescimento do tráfico na região está diretamente ligado ao aumento dos desaparecimentos.
Outro caso que mobiliza as autoridades é o de Nicolas Jonathas Santos, desaparecido após sair de casa para a escola. Ele se tornou o 19º registro contabilizado no levantamento mais recente da SSP.
A lista de vítimas inclui ainda nomes como Bruno Viana de Souza, Alef José Lima Santos, Marcondes Alves da Silva, Cláudio Gabriel Omena de Barros, Diego Lourenço Chomário, Eduardo dos Santos, Guilherme Santos de Almeida Lima, Laudelvânio Silva dos Santos, João Vítor Pinto e Pedro William dos Santos Silva. Parte deles já foi encontrada morta, enquanto outros seguem sem paradeiro.
Do total de desaparecidos, 18 são homens e apenas uma é mulher, sendo a maioria natural da própria região ou de cidades vizinhas. Há também registros de pessoas vindas de outros Estados, como Pernambuco e Sergipe.
Mesmo sem a localização de todos os corpos, a polícia trabalha com duas hipóteses principais: homicídios ligados ao crime organizado ou desaparecimentos estratégicos para evitar retaliações. As investigações seguem em andamento.
A Secretaria de Segurança Pública afirmou que nenhum caso foi negligenciado e que o trabalho de inteligência e investigação continua para esclarecer os desaparecimentos e dar respostas às famílias.
*Com assessoria
