PM abre investigação que pode punir militares que criticaram decisão de juiz
Imagens que ganharam as redes sociais mostram militares lamentando soltura de mulher presa com oito armas de fogo no Tabuleiro do Martins
Pode acabar em punição administrativa o registro em vídeo da revolta de militares com a soltura de uma mulher - após audiência de custódia - que havia sido detida com oito revólveres, durante abordagem no Conjunto Cleto Marques Luz, no bairro Tabuleiro dos Martins, parte alta de Maceió, no início do mês de agosto. No vídeo que ganhou as redes sociais, os militares criticam a soltura da suspeita, afirmando que a decisão do juiz responsável seria "resultado da impunidade e que, por isso, é muito difícil ser policial no Brasil".
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A punição que os militares podem receber ao final do procedimento é resultado de um pedido por providências apresentado pela Associação dos Magistrados de Alagoas (Almagis). O despacho determinando a apuração, assinado pelo comandante da Polícia Militar, coronel Marcos Sampaio, ressalta que a entidade que representa os juízes acredita que o conteúdo divulgado pelos militares ofendeu a suspeita e o juiz que a libertou com base na lei.
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"(...) A denúncia oficiada pela Almagis versa sobre a denúncia de suposto assédio moral contra uma mulher que havia sido liberada após a audiência de custódia, utilizando referências pejorativas referentes a uma decisão judicial e propagando as imagens na rede social WhatsApp", diz trecho do despacho do dia 21 de agosto, mas publicado somente hoje no Boletim Geral Ostensivo (BGO).
Nas imagens, os policiais aparecem indagando a suspeita sobre o motivo de sua detenção. Maria Cícera conta que conseguiu um alvará para que fosse solta e diz que "não deve nada a ninguém".


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Na sequência, os militares criticam o que classificam como frouxidão. "Brasil, Brasil. É isso aí", diz um deles. "Desculpe-me por ter vindo à casa da senhora, quebrado a porta de sua casa e apreendido oito armas. Desculpe-me por ter levado a senhora, constrangida, até uma delegacia para, um dia depois, já estar solta. Pelo amor de Deus", desabafa outro.
Segundo o juiz Ricardo Jorge Cavalcante Lima, a suspeita foi solta por ser ré primária, possuir bons antecedentes e ter endereço físico. Ela também tem emprego fixo em um matadouro e alegou que as armas seriam do namorado.
"Está na ficha dela que ela nunca havia sido presa e que tem bons antecedentes. Segundo o que ela apresentou, as armas seriam de um namorado, que as deixou na casa desta moça, sem que ela soubesse. Ela disse de quem eram as armas e, por isso, resolvi soltá-la. Não fiz nada além do que determina a lei", argumento o magistrado, em recente entrevista àGazetaweb.
