PF aponta que Polícia Civil pagou despesas de acusado de atentado contra juiz

De acordo com inquérito da PF, uma semana antes do atentado, a Polícia Civil forneceu um aparelho telefônico e hospedagem em hotel para Wendell Guarnieri

Inquérito da Polícia Federal aponta que o delegado Paulo Cerqueira pagou, com recursos da Polícia Civil, algumas despesas de Antônio Wendell de Melo Guarniere, apontado como o autor material do atentado contra o juiz Marcelo Tadeu e que terminou com a morte de um advogado.

A investigação descobriu também que Wendell Guarnieri ficou sob a "custódia" da DEIC, comandada à época por Cerqueira, e mesmo após expirado o prazo de uma prisão temporária, ele foi hospedado em um apartamento e uma pousada, estes pagos com recursos da Polícia Civil de Alagoas (PC/AL).

De acordo com a PF, uma semana antes do atentado, a Polícia Civil forneceu um aparelho telefônico para Wendell Guarnieri. Nesta mesma semana, ele ficou hospedado com despesas pagas pela PC/AL.

INDICIAMENTO

A Polícia Federal (PF) indiciou o delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas (PC-AL) Paulo Cerqueira como autor intelectual do atentado que teria como alvo o juiz Marcelo Tadeu e matou, por engano, o advogado mineiro Nudson Harley Mares de Freitas, no dia 3 de julho de 2009, em Mangabeiras. A Gazetaweb teve acesso à íntegra do indiciamento, no qual a PF traz o caso com riqueza de detalhes, citando depoimentos, interceptações telefônicas e outros elementos.

De acordo com as investigações da PF, o autor material do crime, Antônio Wendell de Melo Guarniere, foi cooptado pelo policial militar Natan Simião para praticar um homicídio. Simião, embora não tenha dito a Guarniere, agia a mando de Paulo Cerqueira, segundo a polícia.

Segundo a PF, as evidências indicam que o advogado foi morto por engano no lugar do juiz Marcelo Tadeu. A investigação da PF aponta que Paulo Cerqueira ficou responsável pela investigação do homicídio do advogado após ter avocado o inquérito para ele sem nenhum motivo e que ele nunca considerou a hipótese de que a vítima do crime era para ser o juiz.

A PF concluiu que no inquérito presidido por Paulo Cerqueira, a pessoa de Wendelle Guarnieri sequer foi citada e que durante as investigações não foi realizada nenhuma diligência que pudesse afastar a tese de “erro na execução”. Além disso, a Polícia Federal concluiu que Paulo Cerqueira tentou encerrar as investigações precocemente, o que só não ocorreu por intervenção do juiz Marcelo Tadeu.

A Gazetaweb entrou em contato com a assessoria de imprensa da Polícia Civil de Alagoas e aguarda posicionamento sobre o caso.