Ex-cunhado de líder do PCC, tenente é expulso da PM/AL

Terêncio, como é conhecido, é ex-cunhado de Erik da Silva Ferraz, que foi morto em confronto com a Polícia Federal, em 2017

Foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) desta terça-feira (24) a demissão ex officio, por indignidade, do 2º tenente da Polícia Militar de Alagoas Domingos Terêncio Correia Neto. O tenente Terêncio, como é conhecido, é ex-cunhado de Erik da Silva Ferraz, apontado como líder da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), que foi morto em confronto com a Polícia Federal, em 2017.

O tenente foi preso na mesma operação que resultou na morte de Ferraz após ser acusado de ajudar o cunhado a lavar o dinheiro do crime.

Ao julgar o caso, o desembargador Washington Luiz afirmou que “não procede o argumento de que seu indiciamento se deu, exclusivamente, em razão do seu parentesco por afinidade com o então cunhado, considerando que adquiriu bens e movimentou valores elevados, inclusive em moeda estrangeira, completamente incompatíveis com a sua renda."

O desembargador pontuou ainda que não se mostraram críveis as versões apresentadas pelo policial e seus familiares sobre a origem dos altos valores apreendidos e utilizados na compra de bens de alto padrão. Segundo a investigação, o oficial tinha uma casa em seu nome, sendo construída em um condomínio de luxo.

A investigação da PF apontou também que o militar possuía um veículo modelo HR-V entregue a ele pela irmã e que teria sido adquirido, em tese, a partir do crime de lavagem de dinheiro. O desembargador ponderou que que o militar “tinha total condição de se aprofundar acerca da natureza de tais atividades, porém,supostamente teria agido de modo indiferente a tal conhecimento."

O CASO

A Polícia Federal informou que Erik da Silva Ferraz, de 39 anos, morto durante a Operação Duas Faces, no dia 7 de dezembro de 2017, chefiava em Alagoas uma facção criminosa de São Paulo que atua dentro e fora dos presídios e era filho de um dos seis criminosos mais procurados pela PF no Brasil.

Quatro pessoas da família dele foram presas suspeitas de participar do esquema de lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas. Ferraz, segundo a PF, fazia parte do PCC (Primeiro Comando da Capital) e foi o responsável por comandar o assalto a um avião da TAM, no aeroporto de São José dos Campos, em 1996, quando R$ 6 milhões foram roubados.