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Dono de caderno ligado a caso de injúria em escola de Maceió pode responder pelo crime

Menor que entregou o material usado na comparação com colega será ouvido pela polícia


				Dono de caderno ligado a caso de injúria em escola de Maceió pode responder pelo crime
Dono de caderno ligado a caso de injúria em escola de Maceió pode responder pelo crime. — Foto: Reprodução/TV Gazeta

O adolescente que aparece em um vídeo envolvendo um caso de racismo em uma escola particular do bairro Benedito Bentes, em Maceió, também será ouvido pela Polícia Civil (PC). A informação foi repassada pelo advogado da família da vítima, Alberto Jorge, que acompanha o caso. A vítima foi ouvida nessa quinta-feira (5), no Complexo de Delegacias Especializadas (CODE).

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De acordo com o advogado, além do professor investigado por injúria racial, o menor que seria dono do caderno usado durante a situação também poderá responder pelo ocorrido. Ambos serão ouvidos no Inquérito Policial.

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“Agora vai ser ouvido o professor. A delegada está fazendo o agendamento do dia e teve desdobramento nessa questão, porque o menor dono do caderno, que entregou o material para o professor fazer a devida comparação do macaco com o aluno, também vai responder", explicou Alberto Jorge.

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O caso ganhou repercussão após a divulgação de imagens do circuito interno da escola. No vídeo, um aluno segura um caderno com a figura de um chimpanzé. Em seguida, o professor pega o material e aponta para um estudante negro da turma. Logo depois, outros alunos aparecem rindo. As imagens não possuem áudio, mas registram o gesto feito pelo docente.

Segundo o pai do estudante, Paulo Jorge, o filho chegou em casa abalado no dia do episódio e relatou o que havia acontecido na sala de aula.

“No dia do acontecido, ele chegou com cara de choro e a gente perguntou o que aconteceu, quando ele foi pro quarto chorando. Depois ele disse que o professor de matemática tinha chamado ele de macaco, comparando ele com um macaco da capa de um caderno”, relatou.

Ainda de acordo com o pai, a família buscou acolher o adolescente diante do impacto emocional provocado pela situação.

“Desde o início nós o acolhemos, tentando entender. Ele vê muitos casos de racismo até mesmo no futebol, e foi um impacto grande para ele e pra gente”, afirmou.

O estudante também passou a enfrentar dificuldades para frequentar a escola após o episódio. “No início ele não quis ir, depois de uns dias retornou, mas agora ele não quer ir mais”, contou Paulo Jorge.

O pai disse ainda que procurou a direção da instituição no mesmo dia em que soube do caso. “Agora fica tudo junto com o advogado e a polícia”, acrescentou.

Segundo o advogado da família, após a conclusão do inquérito policial, o caso será encaminhado à Justiça. A defesa também pretende ingressar com uma ação indenizatória.

“Após a conclusão do inquérito, será encaminhado para a Justiça e nós vamos acompanhar também a família com a ação indenizatória”, disse Alberto Jorge.

Ele informou ainda que o estudante recebeu apenas um atendimento psicológico oferecido pela escola e que a família busca ampliar o acompanhamento.

“Ele teve acompanhamento psicológico uma vez no colégio e depois disso não teve mais. Então vamos ver, com os meios que a gente tem hoje dentro da área da Secretaria de Segurança Pública, o que a gente pode oferecer de apoio psicológico para o menor”, concluiu.

A Polícia Civil segue investigando o caso para esclarecer as circunstâncias do episódio.

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