Comissão da OAB contabiliza quase 60 casos de justiçamento este ano em Alagoas
Vítima de linchamento dessa terça continua sem identificação no IML de Maceió
Continua não identificado o homem que foi linchado nesta terça-feira (15), na cidade de Rio Largo. Populares espancaram e atearam fogo nele, que, segundo testemunhas, estaria se masturbando em uma praça no Conjunto Jarbas Oiticica. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu a caminho do Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) cobra esclarecimentos para 57 casos de justiçamento ocorridos somente este ano em Alagoas.
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O caso será acompanhado pela Comissão de Direitos Humanos da Ordem. Segundo o presidente, Ricardo Moraes, o grupo se reunirá no período da tarde para discutir a situação, entre outros assuntos relacionados.
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"Vamos acompanhar, sim. É estarrecedor o que aconteceu; fiquei sem acreditar. Iriamos oficiar pedindo a identificação das pessoas que fizeram o vídeo e soubemos que três estão presos. Não só quem fez o vídeo, mas outros com certeza estão envolvidos", afirmou Moraes.
De acordo com ele, apenas este ano foram registrados 57 casos de justiçamento no Estado, que incluem linchamento, tortura e lesão corporal. Foram sete mortes com a de ontem. "Esse ano está absurdo o aumento dos casos. Em 2016, foram 36. A média entre 2014 e 2016 é 35, 36 casos. Agora, só até agosto, tivemos esses todos".


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O presidente da Comissão de Direitos Humanos acredita que o estado de insegurança pode ter contribuído para a escalada da violência cometida pela população. "Acredito que a falta de credibilidade da Justiça e a insegurança em que vivemos contribuem. É um descrédito nas instituições", aponta.
Outra situação de espancamento também foi registrada em São Miguel dos Campos nessa terça-feira. André dos Santos Barros, de 27 anos, foi agredido pelos irmãos e internado em estado grave. De acordo com informações de guardas municipais, o jovem, que é dependente químico, estaria furtando objetos da família.
Rio Largo
Três pessoas foram presas, na tarde de ontem, suspeitas de espancar e atear fogo ao homem em Rio Largo. Eles foram encaminhados para a Delegacia de Homicídios da Capital e dois deles foram identificados como Jonathan e José Francisco. O terceiro não teve a identidade revelada.
De acordo com informações, a vítima estava em uma praça quando foi abordada pelos suspeitos, que o teriam flagrado se masturbando. Foi quando teve início a série de agressões, com o homem sendo arrastado para uma área de canavial, às margens da rodovia BR-104, onde os algozes atearam fogo em seu corpo.
O delegado Manoel Wanderley Cavalcante de Lima, do 12º Distrito Policial, acrescenta que há suspeitas de que o crime possa ter sido motivado por ter relação com tráfico de drogas.
