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Colombiano fugiu para Alagoas após STF mandar extraditá-lo, diz PF

Segundo a Polícia Federal, Saade estava sozinho no momento que foi preso; ele será transferido para Minas neste terça (02)

O colombiano Jaime Henrique Saade Cormane, preso nesta segunda-feira (1°) em Alagoas, veio para o estado após o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir, em 18 de abril deste ano, pela sua extradição. Ele é acusado de assassinar a namorada Nancy Mestre, estuprada e morta aos 18 anos, na Colômbia, em 1994. Em 2020, um pedido de extradição do governo colombiano foi negado pelo STF. Houve um empate entre os ministros, resultado que favoreceu o réu.

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Segundo o delegado federal Leonardo de Lima e Silva, com a nova decisão, ele foi procurado no estado de Minas Gerais, no entanto, não foi localizado. "A Polícia Federal identificou que ele se evadiu da cidade onde morava. Desde então foi iniciado um trabalho de investigação para apurar o seu deslocamento por todo território nacional, culminando com sua localização em Marechal Deodoro", disse a autoridade policial em entrevista à TV Gazeta.

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Saade foi preso após um trabalho conjunto de investigação da Polícia Federal e do Núcleo de Inteligência da Polícia Militar de Minas Gerais. "Ele foi monitorado e a prisão ocorreu no momento em que se ausentava da pousada onde estava hospedado em Marechal Deodoro", completou o delegado.

A Polícia Federal comunicou a prisão ao STF e ao juízo federal de Alagoas para fins de audiência de custódia. Saade será transferido para Minas Gerais nesta terça-feira (02) para o Sistema Prisional mineiro e, assim, aguardará deliberação do STF para sua extradição.

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DECISÃO DE EXTRADIÇÃO

O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a extradição do colombiano Jaime Henrique Saade Cormane, preso em Belo Horizonte, 24 anos depois de ter sido condenado em seu país natal por ter estuprado e matado a namorada Nancy Mariana.

A decisão foi tomada em sessão presencial pela 2ª turma do STF . Em setembro de 2020, o pedido de extradição de Jaime havia sido julgado, porém, a votação acabou empatada . Nestes casos, quando há empate, a decisão é sempre a favor do réu e o pedido foi negado.

Na época, em carta aberta escrita ao STF, o pai da vítima, Martín Mestre, pedia que os juízes reconsiderassem sua decisão de negar a extradição de Jaime.

“No território brasileiro, capturou-se um assassino há um ano e pela decisão do Supremo do Brasil, Jaime Henrique Saade Cormane foi libertado. Peço ao máximo que estude a possibilidade de reconsiderar a decisão tomada e ordenar a captura de Saade Cormane para fins de extradição para a Colômbia, país onde cometeu o crime da minha filha Nancy Mariana Mestre Vargas”, disse Martín.

O caso voltou a ser julgado a pedido do pai da vítima, que entrou com ação rescisória.

Na conclusão do julgamento, o ministro Nunes Marques apresentou o voto de desempate, e o ministro Edson Fachin reajustou seu voto. O relator, ministro Gilmar Mendes, aceitou a solicitação apresentada pelo governo colombiano.

Jaime ainda responde na Justiça Federal por falsidade ideológica e falsidade de documento público, já que usava nome falso.


				Colombiano fugiu para Alagoas após STF mandar extraditá-lo, diz PF
Nancy Mariana (esq) foi morta por Jaime Saade (dir), na Colômbia, em 1994. Redes Sociais

A MORTE DE NANCY

Nancy tinha 18 anos quando conheceu Jaime, 13 anos mais velho, e namoraram por pouco tempo. O crime foi na noite de réveillon. A jovem passou a virada do ano em casa com os pais e o irmão. Depois, saiu para encontrar o namorado e não voltou. No dia seguinte, Martín soube que a filha estava internada numa clínica com um ferimento de bala na cabeça. Ela morreu oito dias depois e Jaime desapareceu.

O julgamento só foi realizado dois anos depois. A defesa de Jaime chegou a dizer que Nancy se suicidou. Porém, a perícia descartou a alegação.

PARADEIRO DO COLOMBIANO

O criminoso fugiu para o Brasil e assumiu uma nova identidade. Foi o pai da vítima, Martín Mestre, quem investigou e descobriu o paradeiro do criminoso. O caso ganhou destaque na imprensa do país e, mesmo foragido, em 1996, Jaime foi condenado pela justiça colombiana a 27 anos de prisão por homicídio e estupro. A partir daí, encontrar Jaime virou a missão de vida de Martín.

“Eu me propus a buscá-lo, de qualquer forma, de qualquer maneira, porque eu sabia que não teria muito respaldo das autoridades, então fui buscar uma forma de manter o interesse no caso”, diz o pai da vítima.

Ele contratou detetives, fez cursos de investigação e criou perfis falsos em redes sociais para se aproximar de parentes de Jaime Saade. Em uma das conversas, ele descobriu que Jaime tinha um parente que vivia no Brasil. A partir daí, redirecionou a investigação e localizou o criminoso em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Jaime havia mudado o nome para Henrique dos Santos Abdalla e era procurado pela Interpol. A partir das pistas recolhidas por Mestre, a polícia conseguiu prendê-lo. O caso ganhou repercussão após reportagem publicada pelo El País.

Após as buscas feitas pelo pai de Nancy, em janeiro de 2020, o colombiano Jaime Henrique Saade Cormane foi preso em Belo Horizonte. Porém, ele ficou na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana da cidade, por apenas nove meses, pelo crime cometido no país natal.

Ele foi libertado depois de receber alvará de soltura com revogação da prisão preventiva, expedido pela Justiça Federal. Na época, a informação foi confirmada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp).

*Com informações do G1 Minas Gerais

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