Terremotos na Venezuela deixam quase 1.500 mortos e milhares de desaparecidos
Menino de 11 anos foi resgatado com vida entre os escombros na noite desse sábado

Milhares de socorristas, familiares e voluntários cavam dia e noite entre montanhas de concreto para encontrar sobreviventes dos terremotos ocorridos há mais de três dias na Venezuela, que deixaram quase 1.500 mortos e dezenas de milhares de desaparecidos.
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A esperança de encontrar sobreviventes diminuía neste domingo (28), mais de 90 horas após os dois terremotos que, na quarta-feira (24), atingiram este país mergulhado em uma profunda crise política e econômica.
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Após três dias, "o padrão é que as pessoas não estejam mais vivas, mas, graças a Deus, ainda podemos encontrar pessoas com sinais vitais", disse à AFP, em La Guaira, um socorrista salvadorenho que pediu para não ser identificado.
Um menino de 11 anos foi resgatado com vida entre os escombros na noite de sábado.


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"Foi resgatado com vida um menino de 11 anos em Caraballeda. Nestes momentos, cada vida representa esperança para a Venezuela", afirmou a presidente interina, Delcy Rodríguez, no X, acompanhada de um vídeo do resgate. No sábado, 33 pessoas foram resgatas com vida dos escombros, segundo a presidente.
O chefe da ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, disse na sexta-feira à AFP que o número total de mortos pode aumentar e que há mais de 50 mil desaparecidos.
A cidade litorânea La Guaira, a 40 quilômetros de Caracas e um dos mais afetados pelos sismos de magnitude 7,2 e 7,5, parece uma zona de guerra. Dezenas de edifícios desabaram como castelos de cartas e se transformaram em montanhas de areia e escombros.
- "Não temos esperanças" -
Os esforços de resgate continuam, mesmo enquanto a população local não esconde sua revolta com a assistência lenta e insuficiente do governo.
Marlon Ochoa, sobrevivente do desabamento de um prédio em La Guaira, conta que procura nos escombros por sua mãe, sua esposa e seu filho, todos desaparecidos quando o edifício ruiu.
Como muitos venezuelanos já atingidos pela crise econômica, ele está furioso.
"Ainda não vejo as autoridades assumindo o controle da situação nesta área", disse ele à AFP, desesperado.
"Me disseram que estão deliberando. Deliberando o que? (...) Se hoje não vier ninguém aqui, vamos fazer uma revolução, porque aqui precisamos de coisas: máquinas, geradores, furadeiras, de tudo", afirmou.
"As pessoas aqui estão furiosas; precisamos de ajuda. Há pessoas vivas [sob os escombros], mas nos faltam
mão de obra e ferramentas", acrescentou.
Héctor Aguilera, de 60 anos, viajou para a região para ajudar na busca por familiares, alguns soterrados.
"Não temos apoio para retirar nossos familiares. Nós mesmos não conseguimos. Eles estão enterrados lá. Sabemos que estão mortos, mas aqui estamos, esperando a resposta das autoridades", relatou.
"Não temos esperanças, o que me restam são as lembranças", disse resignado.
Um grupo de familiares de desaparecidos bloqueou uma rodovia em La Guaira para exigir ajuda urgente do governo, constataram jornalistas da AFP.
