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Tempestades de areia se intensificam e desafiam saúde pública e economia

Relatório mostra que, em 2025, bilhões de toneladas de poeira foram lançadas na atmosfera, provocando crises regionais na Ásia e América do Norte


				Tempestades de areia se intensificam e desafiam saúde pública e economia
Apdim/Robert Klarich

Tempestades de areia e poeira estão cada vez mais frequentes. Segundo os dados publicados pela Organização Meteorológica Mundial, OMM, elas provocaram eventos regionais extremos com forte impactos econômicos e na saúde pública em 2025.

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A pesquisa anual destaca que cerca de dois bilhões de toneladas de poeira entram na atmosfera, por conta da degradação ambiental, secas crônicas e má gestão da terra e da água.

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Os piores cenários de 2025

A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, afirma que nenhum país está imune a ação desses fenômenos. No boletim anual da organização, são detalhadas as piores tempestades do último ano, principalmente na Ásia e América no Norte. A região fronteiriça entre Ciudad Juárez, no México, e El Paso, no Texas, Estados Unidos, registrou tempestades frequentes.

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Ao total, a OMM contabilizou 50 dias com condições de poeira e 12 tempestades, o maior número desde 1935, em que ocorreu uma das maiores catástrofes ambientais e climáticas no país, chamada "Dust Bowl". O auge aconteceu no dia 18 de março, no qual Ciudad Juárez enfrentou mais de seis horas consecutivas de tempestade. O episódio resultou no fechamento de escolas e aeroportos, além de acidentes rodoviários fatais.

Em abril, um ciclone na Mongólia empurrou uma imensa nuvem de poeira em direção ao território da China. O fenômeno atingiu até mesmo regiões do sul do país, historicamente não afetadas. Segundo a pesquisa, em partes do norte, a concentração de partículas inaláveis superou os limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde, OMS.

No mesmo mês, uma frente fria cruzou o Iraque e gerou tempestades de poeira que fecharam aeroportos e levaram quase 4 mil pessoas à hospitais com problemas respiratórios.


				Tempestades de areia se intensificam e desafiam saúde pública e economia
UNAMID/Adrian Dragnea

Novos modelos de previsões

Diante do desafio, a ciência aposta na revolução tecnológica. Os modelos tradicionais de previsão enfrentam limitações devido à complexidade da dinâmica atmosférica e ao alto custo de processamento computacional.

Modelos recentes de Inteligência Artificial, IA, e o Machine Learning demonstraram capacidade de gerar previsões para até cinco dias minutos.

O relatório da OMM indica que, uma vez treinados, os sistemas de IA exigem menos recursos e oferecem alta precisão. Ainda assim, a agência alerta que não existe uma solução única: alguns modelos funcionam melhor para tempestades locais, enquanto outros são mais eficientes para prever eventos de grande escala.

Cooperação internacional

Como os fenômenos climáticos não respeitam fronteiras, a OMM reforçou o apelo por maior cooperação internacional. Atualmente, a organização coordena o Sistema de Avaliação e Alerta Consultivo para Tempestades de Areia e Poeira, operando por meio de centros regionais na China, Espanha, Arábia Saudita e Barbados.

A secretária-geral da organização afirma esses eventos afetam a saúde pública ao reduzir a produtividade agrícola, interferir no transporte e na aviação, e danificar ecossistemas.

A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou o período de 2025-2034 como a década do combate ao fenômeno. O objetivo é unir mais de 150 países afetados para reduzir os impactos socioeconômicos provocados pelas tempestades.

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