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Peste suína coloca em risco subsistência de milhões no leste e sudeste da Ásia

Especialistas acreditam que a doença irá inevitavelmente se espalhar ainda mais nos próximos meses

A rápida propagação da peste suína africana (PSA) no leste e sudeste da Ásia está ameaçando a segurança alimentar e os meios de subsistência de milhões de lares na região que dependem da criação de porcos, afirmou na terça-feira (2) a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

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Pequenos criadores representam uma proporção significativa da produção de carne suína na vasta região, e o surto é uma preocupação especial para estes produtores, que podem não ter o conhecimento e os fundos necessários para proteger seus animais da doença.

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A PSA é uma doença viral contagiosa que afeta porcos e javalis selvagens, causando febres altas, hemorragias internas e é quase sempre fatal dentro de poucas semanas. Ainda não há tratamento ou vacina disponível para a doença, que é inofensiva para humanos.

O vírus se propaga facilmente entre porcos selvagens e domesticados através de contato direto e da ingestão de alimentos e materiais que podem ter entrado em contato com animais doentes, incluindo sapatos, roupas, veículos e equipamentos.

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Preços mais altos, rendas mais baixas

A FAO recebeu relatos de que a PSA levou a perdas de rendas nos países afetados, onde dezenas de milhões de lares estão envolvidos na criação de suínos. A perda se dá tanto por conta da morte de animais quanto pelas tentativas de governos de conter a propagação da doença, que incluem limitações de transporte e venda de porcos vivos e de produtos suínos. Na China, maior produtora de carne de porco do mundo, cerca de 130 milhões de lares estão envolvidos na criação de suínos.

As dietas de muitas pessoas vulneráveis que vivem em países do leste e do sudeste da Ásia devem ser afetadas: o porco é um dos animais mais consumidos em muitos países da região. A queda na produção, assim como temores sobre o impacto futuro da PSA, já levou ao aumento de preços.

É possível que a propagação da doença continue

Desde o primeiro caso relatado de surto da PSA na província de Liaoning, no norte da China, em agosto de 2018, a doença se espalhou pelo país. No total, 32 das 34 províncias da China continental foram afetadas. Apesar de ações tomadas pelo governo, incluindo o abate de 1,13 milhão de porcos, a PSA continua se espalhando. Há relatos de casos da doença no Vietnã, Camboja, Mongólia e Laos. Em maio, a Coreia do Norte relatou seu primeiro surto.

O fracasso atual em conter a doença está sendo atribuído a diversos fatores. Em primeiro lugar, muitos pequenos produtores não adotaram medidas para proteger adequadamente seus animais da doença. Além disso, porcos em pequenas fazendas são frequentemente alimentados com restos das alimentações de humanos, ou lixos orgânicos não cozidos, que podem conter o vírus. O comércio transfronteiriço de porcos, alguns deles possivelmente contaminados, também contribuiu para a prevalência da PSA.

Por estas razões, especialistas acreditam que a doença irá inevitavelmente se espalhar ainda mais nos próximos meses, com vastas implicações, entre elas uma grande queda no número de porcos criados, impactando o mercado global.

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