Não há risco de epidemia, diz Rússia após doença misteriosa na Sibéria
Funcionária de Instituto de Pesquisa sobre a Peste em Irkutsk, na Sibéria, morreu na última sexta-feira (2) devido a uma pneumonia

A agência reguladora de saúde da Rússia afirmou nesta quarta-feira (7) que não há risco de uma epidemia na Sibéria após a morte de uma funcionária de um instituto de pesquisa sobre a peste, enquanto a OMS (Organização Mundial da Saúde) pressiona por mais informações sobre a causa do falecimento.
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Autoridades russas informaram que a funcionária de laboratório, de 28 anos, morreu na última sexta-feira (2), vítima de uma pneumonia de origem ainda não determinada.
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O caso gerou preocupação internacional, inclusive por parte do presidente dos EUA, Donald Trump. Cerca de 200 pessoas foram inicialmente colocadas em quarentena.
Autoridades de saúde globais — assim como a mídia mundial — têm estado particularmente atentas a casos de pneumonia de causa indeterminada desde a pandemia do Covid-19, que começou com um surto da doença respiratória de rápida propagação na China.


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No entanto, muitas vezes não é possível determinar a causa de casos isolados de pneumonia. A OMS estima que o risco na Rússia para o público em geral seja baixo, com base nas informações divulgadas até o momento.
O Rospotrebnadzor, órgão de vigilância sanitária da Rússia, declarou nesta quarta-feira que estava encerrando as medidas de precaução adotadas, após concluir que não havia risco de epidemia e que havia compartilhado as informações mais recentes com a OMS.
O órgão informou que não foram detectados casos da doença entre as pessoas que tiveram contato com a funcionária que morreu, Darya Shipilova, e que 90% dos indivíduos em quarentena foram liberados depois que quase 5.000 testes laboratoriais não detectaram patógenos perigosos.
A agência afirmou que Shipilova havia sido vacinada e, portanto, estava "imune às infecções perigosas com as quais trabalhava". No entanto, não especificou a causa da pneumonia que a levou à morte nem como ela contraiu a doença.
OMS pede mais informações
Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS em Genebra, disse mais cedo nesta quarta que sua organização precisava de mais informações da Rússia para entender o que havia acontecido.
"A OMS solicitou mais informações para esclarecer a causa da pneumonia grave, o patógeno que motivou as medidas de saúde pública e as notícias na mídia sobre um segundo funcionário com pneumonia de causa indeterminada", pontuou ele no X.
"O compartilhamento de informações oportunas, completas e transparentes, nos termos do Regulamento Sanitário Internacional, é essencial para esclarecer relatos conflitantes e permitir uma avaliação precisa dos potenciais riscos à saúde pública", adicionou.
Kremlin critica informações falsas na mídia
O Kremlin afirmou que a Rússia informou devidamente a OMS sobre o caso, em conformidade com os procedimentos estabelecidos.
Questionado sobre a solicitação da OMS para responder a relatos de que uma segunda pessoa na Sibéria teria adoecido, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, pediu cautela ao utilizar notícias da mídia como referência para o que estava acontecendo.
"Há uma grande cobertura midiática, e a vasta maioria do que a mídia relata sobre essa situação são informações falsas", alegou Peskov.
Ele aconselhou a mídia e outros a se basearem nas informações fornecidas pelo órgão regulador de saúde. O órgão não respondeu imediatamente, nesta quarta-feira, a um pedido de comentário da Reuters sobre as questões levantadas pela OMS.
Causa exata da morte permanece desconhecida
Alguns veículos de mídia ocidentais relataram, citando "mídia russa" não identificada, que uma segunda pessoa na Sibéria havia morrido, afirmando que a causa teria sido a doença misteriosa.
A Reuters não encontrou notícias na mídia russa nem qualquer evidência de que uma segunda pessoa na Sibéria tenha morrido, embora alguns blogueiros nas redes sociais estivessem fazendo — sem provas — tais afirmações.
Contatada pela Reuters, a OMS informou que não tinha nada a acrescentar sobre o assunto além do que Tedros já havia publicado no X.
O pedido do diretor por mais informações ecoou a posição do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que também afirmou que Moscou precisa compartilhar mais dados sobre o caso.
A pneumonia, uma infecção pulmonar, pode ter diversas causas, incluindo a suposta peste, bem como outras infecções bacterianas ou doenças respiratórias virais, como gripe ou Covid-19.
