Irã convoca representante da embaixada brasileira após nota do Itamaraty
General iraniano foi morto em ataque ordenado pelos EUA na semana passada, e Brasil disse em nota apoiar luta contra terrorismo
O Ministério das Relações Exteriores informou nesta segunda-feira (6) que a encarregada de Negócios do Brasil em Teerã, Maria Cristina Lopes, foi convocada pela chancelaria iraniana. Segundo o Itamaraty, o teor da conversa é reservado e não será divulgado.
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A informação sobre a convocação foi publicada pelo site do jornal "O Globo" e confirmada pela TV Globo.
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Na semana passada, o principal general iraniano, Qassem Soleimani, foi morto em um ataque ordenado pelo governo dos Estados Unidos. Segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, o ataque serviu para "parar" uma guerra, não iniciar uma.
Um dia após o ataque, o Itamaraty divulgou uma nota na qual disse apoiar a "luta contra o flagelo do terrorismo". Na nota, o governo brasileiro condenou um ataque à embaixada dos Estados Unidos em Bagdá, cidade onde Soleimani foi morto, mas não condenou a morte do general iraniano.


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"Informamos que a Encarregada de Negócios do Brasil em Teerã, assim como representantes de países que se manifestaram sobre os acontecimentos em Bagdá, foram convocados pela chancelaria iraniana. A conversa, cujo teor é reservado e não será comentado pelo Itamaraty, transcorreu com cordialidade, dentro da usual prática diplomática", informou o Ministério das Relações Exteriores nesta segunda.
'Poderio bélico'
Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro chegou a dizer, antes de o Itamaraty divulgar a nota, que o Brasil não se manifestaria sobre o assunto por não ter "poderio bélico".
Bolsonaro afirmou ainda que conversaria com autoridades americanas porque os dois países são aliados em muitas questões.
"Eu não tenho o poderio bélico que o americano tem para opinar neste momento. Se tivesse, eu opinaria", afirmou o presidente na ocasião.
Efeitos da crise
Um dos efeitos da crise entre Estados Unidos e Irã foi o aumento no preço do barril de petróleo. Segundo a Reuters, a alta chegou a 0,45% nesta segunda-feira, com o barril a US$ 68,91.
No Brasil, Bolsonaro tem afirmado que o governo não vai interferir no preço dos combustíveis, mas que a alta é o que "mais preocupa" neste momento.
Nesta segunda-feira, o presidente se reuniu com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e com o presidente da Petrobras, Roberto Castelo Branco. Após o encontro, Castelo Branco disse que há "liberdade total" no Brasil para os preços de derivados de petróleo, como os combustíveis.
Outro efeito provocado pela crise foi a queda no fechamento das bolsas de valores internacionais.
