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Conheça a jovem que ensinou programação para milhares de pessoas na Etiópia

Iniciativa de Betelhem Dessie ensinou 20 mil crianças a codificar, abrindo caminho para a próxima geração de inovadores no país

Abrindo caminhos para a inovação tecnológica, uma nova geração de jovens vêm desafiando a economia majoritariamente agrícola da Etiópia. Por exemplo, a pioneira Betelhem Dessie, de 20 anos, que é educadora e empreendedora etíope.

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Dessie começou a programar aos dez anos e nos últimos três já patenteou quatro programas de software. Mas ela não guarda esse conhecimento só para si. Dessie é CEO do Anyone Can Code (ACC ou "Qualquer um pode programar"), um programa que faz parte do iCog, principal centro de inteligência artificial do país.

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No ACC, Dessie tem viajado por toda a Etiópia ensinando jovens de idade escolar os fundamentos da programação e robótica. Suas oficinas já alcançaram mais de 20 mil crianças e adolescentes. Segundo a jovem, há uma demanda por produtos que realmente sirvam às necessidades de desenvolvimento da nação africana.

Economia crescente

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A localização da Etiópia no Chifre da África lhe dá relevância estratégica no continente, por sua proximidade do Oriente Médio e seus mercados, destaca o Banco Mundial. O país de 105 milhões de habitantes é o segundo mais populoso da África, atrás apenas da Nigéria (190 milhões), e uma das economias que cresce mais rapidamente na região - e de forma estável há cerca de duas décadas.

No entanto, a Etiópia ainda é uma das nações mais pobres, com um dos menores PIBs per capita do mundo: de US$ 720 (R$ 2.827), segundo dados de 2017 da ONU. A título de comparação, o Brasil tem, segundo o mesmo critério, um PIB per capita de US$ 9.821 (R$ 38.571). De acordo com estimativas do Banco Mundial, a Etiópia deve atingir o status de país com renda média-baixa em 2025.

O atual primeiro-ministro, Abiy Ahmed, é ex-ministro de Ciência e Tecnologia e, por isso, parece interessado em estimular um potencial desenvolvimento tecnológico de seu país. O desafio é levar o setor de tecnologia, hoje com uma contribuição dita "insignificante", a representar 2% do PIB nacional - ou US$ 2 bilhões (R$ 7,85 bilhões) nos próximos anos.

A Etiópia não é o único país africano a respirar os ares da inovação tecnológica. Centros de startups se multiplicam por nações como Quênia, Nigéria, África do Sul e Gana. E muitos são financiados por investidores de primeira linha. A ideia é simples: criar soluções locais para problemas locais por meio da tecnologia.

Nos países desenvolvidos, lembra Dessie, o já amplo mercado de inteligência artificial, robótica e tecnologia "cria um conforto ou uma conveniência". Enquanto isto, na África, os envolvidos no setor buscam "solucionar necessidades básicas".

Igualdade de gênero

A revolução da jovem precoce vai além da tecnologia. Ela também se preocupa com a igualdade de gênero no setor ocupado principalmente por homens.

Uma equipe da BBC Capital acompanhou Dessie em uma de suas aulas em uma sala de informática. Diante de uma turma lotada de meninos e meninas do sexto ano, ela provoca:

"Quantos de vocês estão convencidos de que meninas podem escrever códigos?". Assim que vários vários alunos levantam suas mãos, ela conclui: "Isso é muito bom".

Ainda na visita da equipe da BBC Capital, uma menina explicava a Dessie sobre seu projeto de software: "É uma história sobre aquecimento global", introduz a menina. "O que você precisa fazer é andar até a árvore e começar a cortá-la, e aí ele mostra o que aconteceria no futuro se as árvores fossem cortadas".

"Quando vejo crianças, especialmente meninas, fazendo algo que pode impactar sua comunidade através da tecnologia, isso é o que mais me inspira", afirmou Dessie.

Infância prodígio

A educadora em seguida comenta que quando criança também fazia um alerta sobre o aquecimento global em escolas. "Eu era muito curiosa. Comecei minha primeira empresa de tecnologia quando tinha nove anos", contou.

A jovem lembra ter pedido dinheiro ao pai para celebrar seu aniversário de nove anos. Ocupado, o pai não lhe deu ouvidos. Ela então tentou outra estratégia: fez um acordo. Se conseguisse ganhar algum dinheiro com o computador que o pai tinha em sua loja, ela poderia ficar com o lucro e gastar em sua celebração.

Dessie acumulou US$ 90 (R$ 350) com um serviço em que fazia listas de música para o celular de clientes e editava vídeos. O feito ganhou a imprensa local e a tornou famosa em sua cidade natal, Harar, município de 150 mil habitantes no Leste da Etiópia. "Acho que ainda sou [famosa lá]", conta a jovem rindo.

Competição de startups

Além de educar crianças e adolescentes, Dessie também é consultora de uma competição de tecnologia para jovens etíopes chamada Solve IT, um dos projetos do iCog Labs. Com o patrocínio da embaixada americana e de empresas privadas, o Solve IT oferece treinamento técnico e teórico em software, hardware e marketing na concepção de startups e tecnologias de impacto social. "Os temas que enfatizamos no Solve IT são saúde, agricultura e educação", explica Dessie.

Um de seus projetos favoritos do último ano no Solve It foi um dispositivo que transformava lixo de injera (pão etíope) em eletricidade. "Devemos focar em fazer algo único primeiro para a Etiópia", completou.

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