China prolonga exercícios militares em Taiwan

Testes, os maiores da história na região e com disparo de mísseis e munição real, estavam previstos para terminar no domingo (7)

A China anunciou nesta segunda-feira (8) que vai continuar a realizar exercícios militares ao redor de Taiwan, os maiores já realizados pelo país na região. O anúncio ignora pedidos de países ocidentais e vizinhos para que os testes sejam interrompidos e prolonga uma crise sem precedentes com os Estados Unidos.

Os exercícios, uma resposta à visita da presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, à Taiwan na semana passada, estavam previstos para terminar no domingo (7). Nesta manhã, porém, Pequim anunciou que as atividades seguirão sem data prevista de término na ilha, que o governo chinês considera parte de seu território - já Taiwan reivindica ser um território independente.

"O Exército Popular de Libertação (EPL) da China continuou executando exercícios conjuntos práticos e treinamento no mar e espaço aéreo ao redor da ilha de Taiwan, concentrado em organizar operações conjuntas submarinas e de ataques marítimos", afirmou o Comando Leste do exército chinês em um comunicado.

O Ministério de Relações Exteriores de Taiwan condenou a decisão de Pequim de estender os exercícios e afirmou que Pequim está deliberadamente criando crises e continuando a provocar Taipei.

Mísseis e munições reais

Durante os testes da semana passada, aviões e navios chineses invadiram o espaço aéreo de Taiwan dezenas de vezes. Diante de temores de rompimento de leis internacionais, o Ministério de Relações Exteriores chinês alegou estar conduzindo exercícios militares normais "em nossas próprias águas", já que considera a ilha parte da China.

Nos dois primeiros dias de exercícios, na quinta-feira (4) e na sexta-feira (5), lançou 11 mísseis balísticos dentro da ilha, e ao menos 68 aeronaves de guerra e navios chineses cruzaram dezenas de vezes o Estreito de Taiwan, que delimita a fronteira entre a ilha e a China.

No sábado (6), o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, denunciou a "total desproporção" da reação chinesa e divulgou um comunicado conjunto os governos do Japão e Austrália para pedir o fim dos exercícios.