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Bolívia rompe com Maduro e expulsa diplomatas da Venezuela

Governo de Jeanine Áñez acusa funcionários da embaixada em La Paz de violarem regras da diplomacia e atacarem segurança interna do país

O novo governo da Bolívia anunciou nesta sexta-feira (15) a ruptura das relações com o regime de Nicolás Maduro e a expulsão de todos os funcionários da embaixada da Venezuela em La Paz, alegando a suposta interferência deles em assuntos internos do país.

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A ministra interina do Exterior da Bolívia, Karen Longaric, disse que, como houve uma mudança de governo no país, o Executivo atual será coerente com os princípios da democracia, do respeito aos direitos humanos e da Carta Democrática da Organização dos Estados Americanos (OEA). "É claro que vamos romper as relações com o governo de Maduro", declarou a diplomata.

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A declaração foi feita um dia após a presidente interina Jeanine Áñez reconhecer o líder da oposição Juan Guaidó como presidente da Venezuela. "Reconhecemos uma Venezuela democrática, ainda mais agora que vimos que os venezuelanos ligados à embaixada venezuelana cometeram atos contrários à lei e atacaram a segurança interna da Bolívia", acrescentou Longaric.

Com base em provas que o Ministério do Governo teria reunido sobre as alegações de que diplomatas venezuelanos teriam violado regras da diplomacia, a ministra disse que dará a todo o pessoal da embaixada venezuelana o prazo correspondente para deixarem o país e disse que eles serão declarados persona non grata. "Eles estiveram envolvidos em assuntos internos do Estado", destacou.

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Para justificar a expulsão dos diplomatas, a ministra disse que se baseia na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. "Quando o Estado anfitrião ou receptor descobre que esses funcionários diplomáticos violaram as regras da diplomacia por diferentes razões, são declarados persona non grata", justificou.

De acordo com Longaric, há evidências contundentes de que esses venezuelanos se envolveram em manifestações violentas na semana passada e foram encontrados portando armas de fogo e uniformes, entre outras coisas.

O ministro do Governo, Arturo Murillo, acusou venezuelanos e cubanos de participarem de um trabalho político contra a administração de Áñez.

A nova diplomacia boliviana se afasta da política adotada pelo ex-presidente Evo Morales, que vinha sendo um aliado ideológico da Venezuela, uma nação com a qual a Bolívia mantém laços históricos e de cooperação iniciados por Hugo Chávez e que são mantidos por Maduro.

O governo de Maduro descreveu a renúncia de Morales à presidência boliviana como um golpe de Estado e rejeitou o que considerou ser uma "autoproclamação" da senadora da oposição Jeanine Áñez para assumir a presidência provisória do país. Áñez assumiu a presidência na terça-feira, um dia depois que Morales deixou o país rumo ao México, onde está asilado.

Morales renunciou à presidência no último domingo, após a OEA denunciar supostas irregularidades no pleito em que o então presidente foi reeleito para o quarto mandato consecutivo.

Sua participação nas eleições foi autorizada pelo Tribunal Constitucional, embora a Constituição que ele mesmo promulgou limite a dois o número de mandatos consecutivos e a população tenha rejeitado a possibilidade de reeleição indefinida num referendo.

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