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Ataque à Venezuela reforça estratégia militar de Trump e lembra Bush

Estratégia de Segurança Nacional de Donald Trump traça os rumos da política externa do país, com foco militar na América Latina


				Ataque à Venezuela reforça estratégia militar de Trump e lembra Bush
Divulgação/Donald Trump na Truth Social

O ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro no último sábado (3/1), faz parte da nova Estratégia de Segurança Nacional de Donald Trump, que traça os rumos da política externa do país, com foco militar na América Latina. A ofensiva também lembra as táticas de George W. Bush ,de quem o presidente dos EUA é crítico.

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Os Estados Unidos atacaram, nesse sábado (3/1), diversas regiões da Venezuela sob ordem do presidente Donald Trump.

Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e levados a Nova York, onde serão julgados por narcoterrorismo.

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Maduro passou a ser o principal alvo das ameaças de Trump. Isso porque o presidente da Venezuela é apontado como chefe do Cartel de los Soles — grupo recentemente classificado pelos EUA como organização terrorista internacional.

Divulgado no último dia 5 de dezembro, a Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos norteia a política externa e de defesa do país. Publicado periodicamente por diferentes governos, este é o primeiro documento estratégico do segundo mandato de Donald Trump.

O plano apresenta foco militar na América Latina e elenca prioridades em diferentes regiões do mundo. Em relação ao Hemisfério Ocidental, o texto fala em “reajuste da presença militar global para enfrentar ameaças urgentes em nosso Hemisfério” e cita como eixos o combate a cartéis de drogas, o controle de rotas marítimas e a contenção de migração irregular.


				Ataque à Venezuela reforça estratégia militar de Trump e lembra Bush
Divulgação/Donald Trump na Truth Social

O documento também estabelece a doutrina de “paz através da força”, segundo a qual a demonstração de poder militar seria capaz de dissuadir conflitos. Entre os pontos específicos para a região, a estratégia prevê:

presença ampliada da Marinha e da Guarda Costeira;

ações direcionadas contra cartéis e proteção de fronteiras, inclusive com uso de força letal;

estabelecimento ou expansão de acesso a locais considerados estrategicamente importantes.

A estratégia menciona ainda a necessidade de conter “migração em massa”, reforçar a proteção de fronteiras e garantir vantagem dos Estados Unidos em áreas tecnológicas como inteligência artificial, biotecnologia e computação quântica. Para a Ásia, o texto cita a dissuasão de conflitos, “particularmente em Taiwan”, e, para a Europa, alerta para o risco de “apagamento civilizatório” e defende maior autossuficiência em defesa.

À época da divulgação do documento, os Estados Unidos já mantinham forte presença militar no Caribe e declaravam combater cartéis de drogas na região. A Venezuela apareceu como principal foco dessa atuação.

A captura de Maduro ocorre dentro do contexto descrito na Estratégia de Segurança Nacional, que prevê emprego de forças militares e de segurança para “proteger fronteiras”, “reduzir o tráfico de drogas” e “enfrentar ameaças urgentes” no hemisfério. A operação militar em Caracas também se encaixa na lógica de “paz através da força” citada no documento.

Paralelos com Bush no Afeganistão e no Iraque

A operação dos Estados Unidos na Venezuela pode ser comparada às intervenções conduzidas no Afeganistão, em 2001, e no Iraque, em 2003, durante o governo George W. Bush. Assim como ocorreu naquelas ocasiões, a ação atual envolve a remoção de uma liderança no poder, a previsão de mudança de regime e a expectativa de reestruturação política após uma ofensiva militar.

No Iraque e no Afeganistão, os EUA derrubaram Saddam Hussein e o Talibã com operações rápidas do ponto de vista militar, seguidas por longo período de incertezas internas.


				Ataque à Venezuela reforça estratégia militar de Trump e lembra Bush
— Foto: Casa Branca


Os paralelos também aparecem no debate jurídico e político. No caso venezuelano, assim como na guerra do Iraque, questiona-se a base legal da intervenção e o fato de o país alvo não ter lançado ataque direto contra os Estados Unidos.

Além disso, no episódio atual há dúvidas públicas sobre o que acontecerá após a captura de Nicolás Maduro: quem comandará o país, como será garantida a segurança interna e por quanto tempo os EUA permanecerão envolvidos – questionamentos semelhantes aos levantados após as intervenções no Oriente Médio.

Outro ponto de comparação é a ideia de que a retirada de um líder específico seria suficiente para destravar reformas políticas e estabilizar o país. No Iraque, acreditava-se que a queda de Saddam Hussein permitiria reorganização institucional rápida. Na Venezuela, a captura de Maduro tem sido apresentada como marco para uma mudança interna, ainda sem definição clara sobre os passos seguintes.

Essas semelhanças ganham destaque porque Donald Trump, que agora coordena a operação na Venezuela, foi crítico da estratégia adotada por Bush. Em 2016, durante debate presidencial, ele afirmou que os Estados Unidos “nunca deveriam ter entrado no Iraque” e disse que a guerra desestabilizou o Oriente Médio, citando também a inexistência de armas de destruição em massa.

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