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Análise: Américas devem ser prioridade de Trump após acordo com Irã

Analista Fernanda Magnotta aponta, no CNN 360°, que, encerrada a crise com o Irã, Trump deve voltar atenção ao hemisfério ocidental e às eleições de meio de mandato


				Análise: Américas devem ser prioridade de Trump após acordo com Irã
Divulgação

O presidente Donald Trump assinou, na quarta-feira (17), a versão impressa do acordo provisório com o Irã. Com a questão do Oriente Médio ao menos parcialmente encaminhada, cresce a expectativa sobre qual será o próximo foco geopolítico do republicano. Para a analista Fernanda Magnotta, no CNN 360°, a resposta aponta para as Américas.

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Magnotta destacou que o conflito com o Irã gerava pressões não apenas no campo diplomático, mas também no ambiente doméstico dos Estados Unidos. "Havia um elemento de pressão sobre Donald Trump do ponto de vista geopolítico e também com efeitos bastante notáveis do ponto de vista doméstico, com pressão inflacionária", afirmou a analista.

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Ela citou a elevação do preço dos alimentos e dos combustíveis — que chegou a ultrapassar US$ 5 o galão em alguns estados — como fatores que contribuíram para o aumento da impopularidade de Trump.

Segundo Magnotta, a estratégia de segurança nacional divulgada pelo governo no final do ano passado deixa clara a intenção de Trump de concentrar esforços no hemisfério ocidental.

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"O presidente Trump deseja e vai colocar atenção no hemisfério ocidental, ou seja, nas Américas", disse a analista. Ela avaliou que o acordo com o Irã representou um "soluço" no Oriente Médio, mas que a prioridade geopolítica do governo tem sido reafirmada de forma recorrente.

Entre os temas que devem ganhar destaque na região estão Cuba, a presença chinesa em países latino-americanos, eleições no Brasil e em outros países estratégicos, além de disputas tecnológicas e questões tarifárias.

Magnotta também ressaltou que China e Rússia continuam sendo preocupações permanentes da grande estratégia americana, independentemente de quem ocupa a presidência.

"A Rússia é vista como um adversário e a China é vista como um rival", explicou, acrescentando que essa distinção se manteve ao longo dos governos Trump, Joe Biden e Barack Obama. Assim, mesmo com o foco voltado para as Américas, Trump deve continuar monitorando as frentes relacionadas a esses dois países.

Eleições de meio de mandato pressionam agenda doméstica

No plano interno, a analista alertou que as eleições de meio de mandato, previstas para novembro de 2026, também exigirão atenção crescente de Trump.

Pesquisas do tipo generic ballot — que medem a preferência genérica do eleitor entre candidatos democratas e republicanos para o Congresso — já apontam uma vantagem democrata de cerca de sete pontos percentuais.

"Na última vez em que houve uma virada de maioria na Câmara dos Representantes, que foi em 2018, os democratas retomaram a Câmara justamente com uma vantagem que na época era de D mais 8", comparou Magnotta.

A analista destacou ainda que a taxa de aprovação de Trump oscila entre 36% e 39%, o que torna o cenário eleitoral desafiador para o republicano. Apesar disso, Magnotta ponderou que Trump ainda representa uma força política relevante e controla o Partido Republicano.

"Daqui para frente é assim que o presidente Trump vai todo dia acordar, olhando para esse quadro de duas frentes ao mesmo tempo que se retroalimentam", concluiu a analista, referindo-se ao equilíbrio necessário entre a agenda internacional e a disputa pelo eleitor independente, que, segundo ela, representa cerca de 34% do eleitorado em jogo.

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