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Ameaças de Trump à Groenlândia deixam Otan sob pressão

Ambições de Trump sobre a Groenlândia desafiam princípio de defesa coletiva da aliança militar


				Ameaças de Trump à Groenlândia deixam Otan sob pressão
Arte/ Carla Sena

Após atacar a Venezuela e capturar Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a ameaçar outros países. Entre eles está a Groenlândia, ilha que o republicano tem demonstrado interesse em anexar. As investidas colocam a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sob pressão para garantir a segurança da região autônoma, controlada pela Dinamarca.

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A aliança é baseada no princípio da defesa coletiva, segundo o qual um ataque contra um de seus membros é considerado ofensiva contra todos.

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As ameaças mobilizaram a Otan internamente. Autoridades britânicas se reuniram com aliados, como Alemanha e França, para discutir uma possível missão de segurança na ilha.

A Otan e a Groenlândia

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A Groenlândia possui direito à autodeterminação e pode decidir sobre sua independência por meio de referendo. Ainda assim, a política externa e a defesa do território permanecem sob responsabilidade da Dinamarca.

A região é considerada estratégica pelos EUA devido à sua posição no Ártico, à presença de uma base militar norte-americana voltada à defesa antimísseis e ao potencial econômico, que inclui reservas de minerais estratégicos e possíveis jazidas de petróleo e gás.

Como parte da comunidade dinamarquesa, a Groenlândia é membro da Otan, assim como os Estados Unidos.

Um país-membro da Otan admitir publicamente a possibilidade de atacar outro aliado cria pressão institucional inédita. A Otan serve para proteger os países aliados de eventual agressão militar.


				Ameaças de Trump à Groenlândia deixam Otan sob pressão
— Foto: Reprodução

Na segunda-feira (12/1), a Otan e a Groenlândia anunciaram a intenção de cooperar para reforçar a defesa do território. Esperam que o aumento da presença militar no Ártico convença Trump a abandonar as ambições de anexação, segundo a mídia europeia. A operação ainda está em fase de discussão na Otan.

Na última sexta-feira (9/1), Trump afirmou que Washington tomará “alguma providência” para anexar a Groenlândia. Segundo ele, a ação acontecerá “do jeito fácil ou do jeito difícil”. A justificativa para a anexação seria impedir que Rússia e China ocupem a área, que é estrategicamente localizada e rica em minerais.

“Vamos fazer algo na Groenlândia, quer eles gostem ou não. Porque se não fizermos, a Rússia ou a China vão tomar a Groenlândia e não vamos querer a Rússia ou a China como vizinhas. Entendeu?”, declarou Trump após reunião com executivos do setor petrolífero. “Eu gostaria de fazer um acordo, sabe, do jeito fácil, mas se não fizermos do jeito fácil, vamos fazer do jeito difícil”, frisou.

A declaração ampliou a tensão diplomática com os aliados europeus. O comissário europeu da Defesa, Andrius Kubilius, defendeu que países da União Europeia (UE) devem pensar na possibilidade de criar uma força militar conjunta, com o objetivo de substituir tropas dos Estados Unidos no continente.

Reação da Dinamarca

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, endureceu o tom contra Washington. Segundo ela, o mundo como conhecemos acabará se o presidente norte-americano decidir tomar pela força o território autônomo da Dinamarca, outro aliado da Otan .

“Se os americanos derem as costas à aliança ocidental ao ameaçarem um aliado, então o mundo irá parar”, declarou.

Frederiksen disse que seu país, a Europa e os aliados se encontram em uma “encruzilhada” diante da situação.

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