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Acordo sobre Groenlândia está incerto apesar de declarações

Depois de se reunir com o chefe da OTAN em Davos, Trump disse ter firmado a estrutura inicial para um acordo sobre a Groenlândia


				Acordo sobre Groenlândia está incerto apesar de declarações
Trump disse ter firmado a estrutura inicial para um acordo sobre a Groenlândia. — Foto: Reprodução

Durante o Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, Donald Trump anunciou ao mundo que o esboço de um acordo sobre a Groenlândia, alvo de suas ambições, foi firmado com países europeus. O possível avanço diplomático entre Estados Unidos e aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) surgiu após o presidente norte-americano adotar aquilo que tem sido uma de suas marcas registradas no que diz respeito à política externa norte-americana: ameaçar para depois negociar.

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  • As ambições de Trump contra a Groenlândia não são recentes. No seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, ele já havia ventilado a ideia de comprar a ilha.
  • Mesmo com um governo autônomo, a região faz parte do território da Dinamarca, um dos 32 membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Neste cenário, qualquer ação contra a Groenlândia seria uma agressão direta contra um aliado da aliança.
  • De acordo com o presidente dos EUA, o controle da ilha por parte dos EUA seria justificado por questões de segurança nacional.
  • No início deste ano, Trump voltou a fazer ameaças sobre anexar a Groenlândia. O que foi respondido, prontamente, por países da OTAN.
  • Depois de alguns países da aliança militar enviarem soldados para a ilha, em resposta à escalada de Trump, o líder norte-americano anunciou uma tarifa de 10% contra as nações que se prontificaram a defender a Groenlândia.
  • Ele, porém, recuou após se reunir com o chefe da OTAN, Mark Rutte, em Davos. Após o encontro, Trump afirmou que um acordo inicial sobre a ilha foi firmado, e suspendeu a tarifa prevista para entrar em vigor em fevereiro.

Mesmo com as declarações do líder norte-americano, incluindo a de que os EUA terão “acesso total” por tempo ilimitado à ilha autônoma localizada no território da Dinamarca, os detalhes sobre o possível pacto ainda são incertos.

A reunião em Davos entre Trump e o chefe da OTAN, Mark Rutte, foi apenas o pontapé inicial para as negociações do acordo sobre a ilha. Discussões que, segundo o presidente norte-americano, deverão ser mediadas por seu vice, JD Vance, o chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio, e o enviado especial Steve Witkoff.

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Durante um painel do Fórum Econômico Mundial na quinta-feira (22/1), o secretário-geral da aliança militar deu maiores detalhes acerca do que havia discutido com Trump, e do futuro acordo.

Segundo Rutte, as conversas giraram em torno de uma questão central: defender o Ártico, onde está localizada a Groenlândia, da China e Rússia, os maiores antagonistas da OTAN.

Uma das possibilidades neste cenário diz respeito ao Domo de Ouro, um sistema de defesa aéreo inspirado no Domo de Ferro israelense. Para isso, Trump afirma que a Groenlândia é essencial para a implementação do “escudo”, cujas previsões indicam que poderia ser utilizado para interceptar ataques com mísseis vindos da Rússia e China.

Terras raras

Apesar dos detalhes ainda incertos, e das alegações sobre a necessidade de controlar a ilha por questões de segurança nacional, o presidente dos EUA revelou que o direito sobre minerais de terras raras também fazem parte do acordo.

Depois do encontro entre Trump e Rutte na Suíça, tanto Dinamarca quanto a OTAN negaram que um possível pacto envolva a soberania da ilha autônoma.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, negou que a aliança tenha oferecido qualquer parte da Groenlândia a Trump, apesar das ameaças do líder norte-americano sobre “controlar” a ilha.

Desde 1951, Washington e Copenhague mantém um acordo sobre a ilha. Nele, está previsto que os EUA podem enviar quantos soldados quiserem para a Groenlândia, onde estimativas recente apontam que 100 militares norte-americanos já atuam. Eles estão posicionado na base aérea de Pituffik, operada por Washington.

Não está claro se as novas negociações podem incluir uma revisão do tratado firmado na década de 1950, com maiores benefícios aos EUA.

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