10 oficiais são indiciados no Irã por queda de avião que matou 185

Aeronave ucraniana caiu logo após decolar do aeroporto de Teerã em janeiro de 2020

Dez oficiais foram indiciados no Irã pela queda de um avião de passageiros ucraniano que matou 185 pessoas em janeiro de 2020, anunciou o promotor militar de Teerã, Gholamabbas Torki, nesta terça-feira (6).

O anúncio ocorre após duras críticas internacionais ao relatório final da queda, que apontava erro humano, mas sem responsabilizar ninguém pelo incidente, e a negociações sobre o acordo nuclear.

Os nomes dos indiciados não foram divulgados.

Um avião Boeing 737 caiu logo após decolar do aeroporto de Teerã, capital do Irã, em 8 de janeiro do ano passado. A aeronave ucraniana transportava 176 passageiros e 9 tripulantes e ninguém sobreviveu.

Havia pessoas de 7 nacionalidades no voo: 82 do Irã, 63 do Canadá, 11 da Ucrânia (incluindo os 9 tripulantes), 10 da Suécia, 4 do Afeganistão, 3 do Reino Unido e 3 da Alemanha.

O voo PS752 da Ukraine International Airlines partiu às 6h12 (horário local) do Aeroporto Imam Khomeini e tinha como destino o Aeroporto Internacional Boryspil, em Kiev, capital da Ucrânia.

Acordo nuclear

O anúncio é feito horas antes de o governo iraniano negociar com potências mundiais o acordo nuclear que foi assinado em 2015 e abandonado pelos Estados Unidos em 2018.

Autoridades do país vão participar de um encontro hoje em Viena, capital da Áustria, com representantes de China, Rússia, França, Alemanha e Reino Unido.

Nesta terça, o porta-voz do governo iraniano considerou "promissoras" as declarações de autoridades americanas sugerindo a suspensão das sanções impostas ao país quando os EUA deixaram o acordo nuclear.

"Consideramos esta posição realista e promissora", disse Ali Rabii, porta-voz do governo, em uma entrevista coletiva em Teerã. "Esta posição poderia ser o início da correção do mau processo que levou a diplomacia a um beco sem saída".

Reconhecimento de culpa

A tragédia em janeiro do ano passado ocorreu poucas horas após o Irã ter disparado mísseis contra duas bases aéreas que abrigam tropas dos Estados Unidos no Iraque, em resposta à morte do general Qassem Soleimani.

Após três dias de negação e em face de evidências crescentes, o Irã finalmente reconheceu que a Guarda Revolucionária havia derrubado o avião por engano com dois mísseis terra-ar. Relatórios culparam um operador de defesa aérea de confundir o Boeing com um míssil de cruzeiro americano.