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Venda de sururu de capote cai 99% em Alagoas, afirmam marisqueiros

Eles ainda dizem que a razão para a diminuição está no aparecimento do óleo que atingiu praias de Alagoas e de outros 526 locais do Brasil

Caminhar pela principal via do Dique Estrada, entre a Favela Mundaú e a Sururu de Capote, a Avenida Senador Rui Palmeira, localizada no bairro de Vergel do Lago, em Maceió, é sinônimo de conhecer novas histórias sobre o sururu de capote - Patrimônio Imaterial de Alagoas. Desta vez, aGazeta de Alagoasdescobriu que a história aponta - sem bússola, sem mapa e sem nenhuma expectativa de final feliz - a redução na venda do molusco e uma tendência a despencar ainda mais, segundo os relatos dos vendedores, marisqueiros e pescadores.

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De forma unânime, os atingidos pela redução na venda afirmam, nos dias que antecedem as festas de fim de ano, que a queda foi de 99%, devido ao óleo que atingiu praias de Alagoas e de outros 526 locais do Brasil, sendo 111 municípios do Nordeste e Sudeste. Os consumidores, conforme o pescador e marisqueiro, João Lima dos Santos, estão com medo de consumir o sururu.

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?Antes eu trabalhava cinco dias. Hoje, minha carga de trabalho é de quatro ou três dias porque não há mais saída como antes. Fora o prejuízo na redução do preço?, desabafou acrescentando que ?não recebemos nada dos governos?.

João Lima trabalha há 22 anos na mesma região. Ao lado do irmão e de mais cinco pessoas, ele conta que o trabalho para a captura do molusco começa de madrugada.

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?Saímos às 23 horas, iniciamos os trabalhos dentro da lagoa por volta de meia noite. Retornamos para terra firme às quatro ou cinco horas da manhã. Durante a manhã colocamos para cozinhar e à tarde fazemos a limpeza para depois repassar?, contou. Ele relata que o sururu separado é enviado para a Bahia.

Outra marisqueira que, há 20 anos trabalha na limpeza do sururu para vender e assim sobreviver dignamente, é Maria de Fátima, de 63 anos. Antes do surgimento das manchas, o molusco era vendido a R$ 10.

?Estamos vendendo entre três e quatro reais. Tem sido muito complicado a saída, se enviamos para a Bahia, a saída é quase nula, os restaurantes estocando, e muitos já deixaram de comprar. A todo momento a mídia divulga as manchas e isso acaba deixando nossos clientes, e consumidores com medo de consumir?, disse Maria de Fátima, acrescentando que ?considera o atual cenário um dos piores dos últimos anos?.

Fabíola Sarmento diz, com o semblante emocionado, que tem esperança de voltar a vender o sururu como ?antigamente?. ?Antes das manchas nós vendíamos bem.  Dava pra tirar em média um salário mínimo por mês. Agora nem conseguimos chegar perto?.

Ela, que trabalha a aproximadamente 15 anos na região do Dique Estrada, relata que depende apenas do sururu para sobreviver.

?Minha história é aqui. É o meu trabalho, meu sustento e de muitas outras famílias. Tudo o que tiramos da lagoa é limpo. O óleo não atingiu a Lagoa Mundaú e precisamos que as pessoas tenham conhecimento desse fato. Apenas pedem para que as pessoas não façam o consumo de peixes dos mares, mas não explicam que nossas lagoas não foram atingidas, que nosso molusco está próprio. Precisamos vender?, clama.

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