Trabalhadores despejados de terreno ocupam Praça dos Martírios
Segundo o grupo, ordem de reintegração de posse expedida pelo TJ estava errada
Cerca de 500 famílias ligadas ao MTST [Movimento dos Trabalhadores Sem Teto] ocupam a praça dos Martírios, no centro de Maceió, desde a madrugada desta sexta-feira (23). Os manifestantes alegam não ter moradia. Até a manhã dessa quinta-feira (22) o grupo ocupava um terreno de uma faculdade particular, no Tabuleiro dos Martins, mas foi retirado do local por determinação judicial.
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Desde o dia 10 de fevereiro o grupo montou acampamento no terreno desocupado. "Há 40 anos o terreno está abandonado, sem ocupação social, que servia apenas para desova de animais e local para descarte de lixo de empresas vizinhas. Nós limpamos o local e ocupamos, mas ontem de forma truculenta nós fomos abordados pela forças armadas e pelo Poder Judiciário, onde alegaram que entraram com um pedido de reintegração, mas isso não aconteceu. A ordem judicial está com o nome de outro movimento e com outro endereço", contestou Silvânia Pinheiro, coordenadora geral do movimento.
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"Na retirada, nos remanejaram para a praça Sinimbu, uma praça esquecida, e ainda quebraram muitas coisas nossas, tem muita família que perdeu o pouco que tinha", reclamou a coordenadora.
O grupo não satisfeito com a praça Sinimbu, onde questionava ser uma praça de pouca visualização, fez o remanejamento do acampamento para a praça dos Martírios, em frente ao antigo Palácio do Governo.


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Agora, apelam ao governo pela concessão de um terreno ou de moradias.
Segundo a coordenadora geral do movimento, o grupo é composto por nativos de Maceió, de periferias das localidades do Clima Bom, Colibri, Santa Lúcia, Rosane Collor e Tabuleiro dos Martins. "São pessoas que não têm moradias dignas, que dividiam barracos com familiares, e todos nós queremos casa", completou Silvânia.
VERSÃO DA JUSTIÇA
A assessoria de comunicação do Tribunal de Justiça explicou que a localização do terreno em que foi cumprida a reintegração de posse foi de uma área pertencente ao Centro Universitário (Cesmac), no Tabuleiro.
Com isso, a alegação de que o endereço da Ordem de Reintegração estaria incorreto não procede.
Quanto ao nome do grupo, o Cesmac entrou com a ação informando que o terreno teria sido ocupado por "esbulhadores de qualificação desconhecida", isto é, eles não tinham a identificação de qual era o grupo ocupante, cabendo assim a reintegração para o movimento que estivesse no local.
