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Reordenamento do Centro faz aumentar conflitos entre ambulantes e a prefeitura

Negócio é motivo de constante impasse pela permanência no comércio de Maceió

Dona Josefa Lídia da Silva, de 55 anos, que trabalha como feirante ambulante nas ruas do comércio de Maceió há mais de 20, diz que foi apenas nos últimos anos que as recorrentes complicações devido ao espaço onde ficam têm surgido. O "ganha pão" dela costuma ser na famosa Rua das Árvores, onde vende frutas e verduras, mas a prefeitura alega que o seu trabalho e o de centena de outros feirantes obstrui o passeio público em calçadas destinadas para ao tráfego de pessoas e que, por tanto, aquele comércio é ilegal.

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Como alternativa para os mais de 100 feirantes, a Secretaria Municipal de Segurança Comunitária e Convívio Social (Semesc), junto com a Secretaria Municipal de Trabalho, Abastecimento e Economia Solidária (Semtabes), disponibilizou uma área para o tipo de comércio no Mercado da Produção. No entanto, os feirantes não concordam com a proposta e resistem às ações de reordenamento.

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A região destinada aos feirantes já existe no Mercado da Produção, mas está completamente esvaziada, sem sequer um feirante. A Semscs informou que, há poucos meses, quando alguns dos feirantes ainda chegaram a ser remanejados para o local 'ideal', havia instalado tendas para deixar o ambiente mais propício ao comércio, mas que por causa do desuso o equipamento foi retirado.

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Na última semana, a secretaria anunciou que está apertando a fiscalização aos feirantes neste período em que aumenta o fluxo de pessoas no Centro para as compras de final de ano, e que está fazendo a apreensão da mercadoria de quem permanece comercializando nas ruas do Centro da cidade.

Feirantes reclamam do novo espaço

Por outro lado, os ambulantes reclamam que o local para onde foram realocados no Mercado da Produção tem o movimento fraco, por isso eles optam por comercializar mercadorias nas ruas do Centro. "No Mercado da Produção já tem muito feirante. E não é um local adequado, não tem saneamento básico e nem segurança", afirma Paulo da Silva.

"Na feira que nos colocaram não tem movimento, não dá para ganhar nada. Não tem como a gente sustentar a nossa família trabalhando naquele lugar. O único jeito é a gente vir para cá e bater de frente com eles [fiscais]. Só estamos aqui porque necessitamos", é o que alega dona Jailsa Santos, que trabalha com o tipo de comércio há cinco anos, também na Rua das Árvores.

Tensão

Com sete filhos, separada e sem ajuda do ex-marido, ela sustenta sua família apenas com o que ganha como feirante. A jornada inicia diariamente às quatro horas da manhã, horário em que compra os produtos a serem vendidos durante o dia. Após, a feirante os organiza no carrinho, empurra até a Rua das Árvores para, só então, começar a negociar.

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Mas, as dificuldades não acabam por aí. Segundo a feirante, o dia todo ela negocia na tensão de ter os seus produtos apreendidos a qualquer momento. E apela: "A gente quer continuar aqui, mas de forma organizada, que não atrapalhe ninguém. A prefeitura deveria arrumar um espaço para gente por aqui", pede dona Jailsa.

Em resposta àGazetaweb, o secretário adjunto da Semscs, Ariel Fernandes, explicou que os episódios de conflito só acontecem porque os feirantes resistem com violência às ações de reordenamento.

"Às vezes, algumas reações são inevitáveis, porque eles não aceitam que tenham os seus produtos apreendidos. Nenhum agente público, especialmente os guardas municipais, vai adotar nenhum tipo de ação violenta sem que estejam em situação de risco. Os feirantes partem pra cima jogando maçãs, frutas, pedras. Tudo isso é um risco que o agente público passa para manter o ordenamento da cidade", explicou, dizendo, ainda, que antes de realizar as apreensões comunicam aos feirantes e que, mesmo assim, eles permanecem no local.

Consumidor diz concordar com ordenamento

Um cliente dos feirantes, que não quis ser identificado, disse que mesmo comprando os produtos ali na Rua das Árvores não concorda com o negócio. "A calçada é um direito de as pessoas andarem livremente por elas, não para ser usada por feirantes e ambulantes que atrapalham a nossa passagem", disse. Ele concluir que se não houvesse feirantes no Centro ele iria até o Mercado da Produção para comprar os produtos.

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Mesmo motivo que alega a Semscs. "É preciso compreender que eles [feirantes] estão em áreas irregulares e incompatíveis com esse tipo de comércio e desrespeitando a legislação. Além disso, os equipamentos que eles utilizam bloqueiam o passeio público e provocam transtornos no calçadão", disse a assessoria do órgão, àGazetaweb.

Já a também cliente, Renata Cavalcante, disse que não vê problema no negócio dos feirantes ali mesmo, nas calçadas do Centro. "Nunca me atrapalhou, pelo contrário, facilita a minha vida, é perto meu trabalho e assim eu economizo tempo".

Quando questionada pela reportagem se iria ao Mercado da Produção comprar os mesmos produtos, Renata disse que nunca foi ao espaço e que não tem intenções de ir, o que enfatiza a preocupação dos feirantes.

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