Pescadores dizem que dragagem do porto tem inviabilizado pesca no Jaraguá
Segundo eles, lama e lixo retirados para facilitar o acesso de navios ao porto têm sido despejado em "pesqueiros"
O processo de dragagem do Porto de Maceió tem gerado insatisfação entre pescadores que sobrevivem da retirada de camarão nas imediações do local. É que, de acordo com eles, a lama e o lixo que são retirados para facilitar o acesso de navios ao porto têm sido despejados em "pesqueiros", inviabilizando a atividade.
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"Temos um pesqueiro de camarão que se chama Lama Grande e que está acabado. Os pescadores só puxam lama. Outros mais para frente estão do mesmo jeito. Não somos contra o processo de dragagem, mas queremos chegar a um denominador comum", diz Maria Aparecida, presidente da Federação dos Pescadores de Alagoas.
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Segundo ela, os pescadores não foram avisados sobre a forma como aconteceria a dragagem - que teve início há cerca de uma semana. "Além de lama, a draga também puxa coisas como pneus, pedras e pedaços de ferro", acrescenta.
"O pescador fica sem sustento. Se você for no mercado do peixe, não tem um camarão branco, acabou de repente. O IMA [Instituto do Meio Ambiente] liberou isso, mas não procurou a gente pra conversar. Fomos pegos de surpresa", afirma.


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Conforme Maria Aparecida, no sábado passado, pessoas ligadas à Universidade Federal de Alagoas (Ufal) estiveram em Jaraguá para falar sobre a dragagem e onde poderia ser pescado. Mas, afirma a presidente, o mapa entregue não mostrava onde seriam colocados os dejetos retirados do local da dragagem.
"O cais precisa disso; é preciso entrar navio. Mas, precisamos sentar com a administração, com o IMA, com a empresa que está fazendo isso para que os pescadores indiquem onde fica melhor para colocar os dejetos. É isso que queremos, porque agora eles estão acabando com a pesca de camarão em Maceió e, consequentemente, com a de peixe", ressalta.

Wilson Pinheiro, que é presidente da Colônia de Pescadores Z16, reclama que a dragagem poderia ter sido agendada para outra época, como os períodos de São João e Natal, mas não às vésperas da Semana Santa e perto do fim da pesca de camarão. "Perto da Semana Santa, o pescado, que já estava escasso, fica mais ainda. O trabalho acelera o progresso, mas agride a natureza. Não somos contra o progresso, mas os pescadores estão prejudicados".
De acordo com ele, caso não seja encontrada uma solução, os pescadores prometem realizar uma manifestação. "É fundamental que haja um diálogo. Ou essa dragagem assim para ou haverá uma manifestação democrática dos pescadores para que a gente consiga nossos direitos", observa.
Pinheiro afirma que há quase 2 mil pescadores prejudicados com a medida, das colônias Z1 e Z16.
O pescador José João Justino teve a rede rasgada devido ao lixo acumulado no local onde pesca. "Tem muita lama e nossas redes agarram em pedra, ferro, pneu. Só para tirar a rede a pessoa que faz isso cobra de R$ 300 a R$ 500. Para consertar é mais R$ 200, R$ 400 . Para comprar uma nova é R$ 2.400. Se a gente comprar fiado, vai pagar como?", questiona.
Ele reclama que os pescadores ainda estão sem receber o defeso. "Cada um vai ter que arcar com seu prejuízo e não tem ninguém pra ajudar. Os órgãos só chegam aqui para multar a gente. O seguro defeso não é pago. Tem oito parcelas que não recebo. Se a gente for pescar o que é proibido vai preso. Fica difícil".
IMA
Em nota, o Instituto do Meio Ambiente informa que as áreas selecionadas foram amplamente estudadas por uma equipe multidisciplinar que avaliou desde o local de retirada do material (dragagem) até a área de descarte.
"Vale ainda ressaltar que, por medida de segurança, os procedimentos de avaliação física e biológica do material dragado e da área de descarte também foram realizados, dias antes de início da operação da draga, por técnicos coordenados por especialistas da Universidade Federal Fluminense (UFF) e professores especialistas da Universidade Federal de Alagoas (Ufal)", diz o texto.
O coordenador de Gerenciamento Costeiro do IMA, Ricardo Cesar, ressalta ainda que está sendo realizado o monitoramento diário por técnicos da Secretaria Nacional de Portos, UFF, Ufal e pelo próprio órgão. Ele destaca que, antes da dragagem ser iniciada, foi exigido pelo IMA/AL à Secretaria Nacional de Portos a realização de reuniões informativas e de consulta junto aos usuários (pescadores e navegantes).
"Entretanto, Ricardo César ressalta que em caso de identificação de possíveis impactos, os usuários podem entrar em contato com o órgão ambiental que deverá tomar as devidas providências".
Porto
A reportagem da Gazetawebtentou contato com o administrador do Porto de Maceió, Gustavo Abdalla, mas até o momento não obteve retorno da sua assessoria.
