Movimentos sociais fazem 'rolezinho' na orla contra ações da polícia
Eles lembraram apartheid social e detenção recente de 150 jovens e reunião para controlar acesso à área
Movimentos sociais e culturais realizaram, neste domingo (18), uma espécie de "rolezinho" na orla de Maceió para protestar contra a ação da polícia voltada para jovens da periferia na área, especialmente na Rua Fechada. Eles andaram durante todo o percurso, da Pajuçara à Ponta Verde, levando faixas e fazendo apresentações.
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Um dos organizadores, o professor Magno Francisco explicou que o ato é uma resposta às recentes ações da polícia, como a detenção de 150 jovens na praia no último mês de setembro e uma reunião realizada no dia 6 de dezembro, onde moradores e comerciantes da região cobraram mais rigor quanto aos frequentadores do espaço.
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"É uma resposta principalmente à reunião que entre Segurança Pública, donos de bares e moradores que visava debater a situação da chamada Rua Fechada. A própria PM deu declaração dizendo que limitaria o acesso abordando as pessoas chamadas suspeitas. Nós sabemos o perfil de suspeito que eles utilizam", disse.
Já o historiador Geraldo de Majella chamou a atenção para o envolvimento da polícia numa questão da Prefeitura. "O que ficou bem claro é que a ocupação da praia causa, segundo eles, um constrangimento para os comerciantes da praia. Mas isso não é um problema de polícia; é da Prefeitura, do Controle Urbano, assim como os flanelinhas".


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Magno lembrou também um luau realizado na noite de sábado (17) e encerrado pela PM. "Os jovens estavam na praia e a polícia encerrou tudo, mandando eles irem pra casa, mais de 50 pessoas. Em setembro uma daquelas operações para chamar a atenção deteve mais de 150 jovens da periferia sem terem cometido nenhum crime", disse.

O professor classifica isso como "apartheid social" e diz que o objetivo principal da ocupação da orla é abrir espaço para a discussão sobre a exclusão na capital alagoana, com a segregação das camadas mais pobres da população.
"Infelizmente, a política que a Prefeitura e o Governo têm para a juventude é a polícia, a repressão. A gente não tem uma integração cultural, por exemplo, para que a juventude tenha espaços de lazer. E quando eles decidem vir à praia têm seu espaço segregado", afirmou.
Segundo o também professor Jackson Jonah, as abordagens na praia são constantes e muitos dos jovens reclamam de abordagens sem motivo aparente, inclusive com uso excessivo da força por parte da Polícia Militar.
"Alguns alunos meus da escola pública relataram que estão sendo agredidos nessas abordagens da polícia. Eles são de periferia e vêm à praia para se divertir. Sem nenhum motivo, só porque estão de bicicleta, de camisa de torcida, são revistados de forma abrupta. Não é porque a pessoa é da periferia que é bandido".
Ao longo de toda a caminhada, os movimentos fizeram várias apresentações culturais, como música, poesia e dança. A ideia, de acordo com Magno, era mostrar as expressões da periferia e como e deixar claro que "toda a cidade é nossa, de todo o povo de maceió e não só dos turistas".
"Maceió tem sido governada para atender o interesse do turismo e, com a chegada da alta temporada, querem fazer uma limpeza étnica, impedindo as pessoas da periferia de virem à praia. Essa é a expressão de um problema mais profundo de exclusão que existe na sociedade".
Durante a concentração nos Sete Coqueiros, Majella destacou que pretende envolver também o Ministério Público Estadual (MPE) no problema, inclusive com um "rolezinho na porta do MP" caso seja preciso.
"Os moradores estão impedidos de circular e sofrendo abordagem de várias formas o MP faz de paisagem. Como ele só trabalha quando é provocado, será que não viu nos jornais, na televisão, nas redes sociais que está acontecendo isso? Vai esperar um confronto maior quando um jovem for espancado? Porque presos e humilhados já foram".

