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Moradores dos bairros afetados pelas rachaduras fecham os dois sentidos da Avenida Fernandes Lima

Estão no local famílias dos bairros Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto, além do Alto da Conceição, Flexais e Saem

Moradores e empresários dos bairros afetados pelas rachaduras, em Maceió, em protesto, nesta quinta-feira (8), estão bloqueando os dois sentidos da Avenida Fernandes Lima, das 8h às 14h. Eles estão insatisfeitos com os acordos propostos pela Braskem e aguardam, da parte do Ministério Público Federal (MPF), a revisão desses acordos.

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"Até que o MPE venha nos responder diante dos nossos pleitos, o que pedimos no MPF, vamos ficar aqui. Os órgãos públicos, que assinaram o documento cruel, precisam nos atender. Maceió precisa entender. Se Maceió quer paz, todos precisam lutar por justiça", disse Mailda Farias, da Associação dos Empreendedores.

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Estão, no local, moradores dos bairros Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto, além do Alto da Conceição, Flexais e Saem. "As pessoas vão acordar para o crime que está acontecendo. Queremos critérios justos, indenizações justas. Uma das coisas que a Braskem não tem inserido é o dano moral. Os moradores estão recebendo proposta 6 vezes a menos do valor do imóvel. Fora que ela não aceita que a avaliação seja feita pelo morador, e só pelo particular deles. Isso não pode acontecer. A Braskem tem sido omissa com os órgãos que firmaram o acordo. Muitos acordaram sem teto, outros já morreram e não viram as indenizações".

Mailda diz, ainda, que a empresa enviou um e-mail informando que estava pagando corretamente. "Só que se tivessem, não estaríamos fechando a Avenida Fernandes Lima".

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Josinete Luciano, 58 anos, moradora do Farol, conta que perdeu a mãe e que tudo ficou ainda mais complicado após deixar o lar em que morava. "Minha revolta é porque perdi minha mãe. A situação dela se gravou quando soube que teria que abandonar a casa".

Ainda segundo ela, Angelita Luciano dos Santos, mãe de Josinete, morreu sem ter um acordo. Josinete estava emocionada ao fazer o depoimento para a reportagem.

Neno Negão, como é conhecido, organizador do protesto e também morador do Farol, pede que os políticos "parem de falar que só existe o bairro do Pinheiro afundando, todos os outros bairros ao redor estão sofrendo. Pedimos um posicionamento e queremos o nosso direito".


				Moradores dos bairros afetados pelas rachaduras fecham os dois sentidos da Avenida Fernandes Lima
Protesto dos moradores dos bairros afetados pela Braskem. Douglas Lopes/TV Gazeta

O trânsito foi bloqueado por volta das 8h40. Agentes da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) e da Polícia Militar (PM) estão no local.

CONFIRA, NA ÍNTEGRA, NOTA DA BRASKEM

A Braskem enviou resposta formal à manifestação do MUVB, no prazo solicitado, por meio de ofício que também foi endereçado ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL). No documento, a empresa demonstra que todos os pleitos apresentados já fazem parte das regras do Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação (PCF).

Ainda que haja divergências quanto ao formato de alguns critérios, não há lacunas ou necessidade de renegociação do Termo de Acordo que foi firmado com as autoridades*, homologado pela Justiça e acompanhado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O PCF foi construído amparado na legislação e na jurisprudência aplicáveis a casos similares. Na época, as autoridades promoveram escuta à comunidade em diversas oportunidades – e foi a partir dos pleitos trazidos por moradores e comerciantes que as condições do acordo foram definidas. A Braskem também realizou reuniões e criou um setor de relacionamento com a comunidade, para receber contribuições e esclarecer dúvidas. Portanto, a empresa discorda, veementemente, da alegação de que não houve participação da comunidade durante o processo.

O cumprimento do Termo de Acordo é fiscalizado pelas autoridades, e o PCF vem sendo constantemente aperfeiçoado a partir do processo de escuta à população – feito pelas autoridades e pela empresa. Nessa evolução, dois aditivos e 24 termos de resoluções foram firmados entre as partes, para regulamentar e aprimorar aspectos específicos do programa. Há, ainda, um fluxo formal de comunicação entre as autoridades e a Braskem, para esclarecimento de dúvidas dos moradores

Entre os ajustes recentes, alguns atendem demandas trazidas pelo MUVB, como as resoluções que estabelecem prazos de referência para a apresentação de propostas e pedidos de reanálise. Com base nesses novos critérios, propostas de indenização já foram apresentadas e aceitas. O PCF registra hoje um total de 7.519 propostas de indenização apresentadas e apenas 26 recusadas. A média de apresentação de propostas é de 630 por mês.

A Braskem respeita o direito de manifestação pacífica e reitera seu compromisso com a segurança dos moradores dos bairros afetados pelo fenômeno geológico, propondo e executando as ações necessárias para isso.

*Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Defensoria Pública da União e Defensoria Pública Estadual.


				Moradores dos bairros afetados pelas rachaduras fecham os dois sentidos da Avenida Fernandes Lima
Protesto dos moradores dos bairros afetados pela Braskem.

				Moradores dos bairros afetados pelas rachaduras fecham os dois sentidos da Avenida Fernandes Lima
Protesto dos moradores dos bairros afetados pela Braskem. Cortesia

				Moradores dos bairros afetados pelas rachaduras fecham os dois sentidos da Avenida Fernandes Lima
Protesto dos moradores dos bairros afetados pelas rachaduras. Izabelle Freitas

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