Laudo revela causa da morte de criança após ela dar entrada em UPA do Tabuleiro

O resultado, no entanto, não é definitivo, já que outro exame deve identificar o que provocou a síndrome

O laudo da necropsia realizada em Carlos Miguel Ferreira, de 10 anos, apontou como causa da morte Síndrome Infecciosa Febril. A criança morreu nessa segunda-feira (17) após dar entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Tabuleiro do Martins, administrada pelo Governo do Estado. No entanto, o laudo consta como resultado definitivo "a esclarecer", porque ainda não se sabe o que causou a síndrome.

O resultado saiu nesta terça-feira (18), um dia depois da morte do menino, que deu entrada na UPA após sentir dores de dentes. “Depois da medicação que ele estava tomando, ele estava agoniado na maca com muita dor, e o médico apertava a barriga dele e nada. Resolveram fazer exame de sangue. Furaram em vários cantos e não encontrava sangue”, contou a mãe, Márcia Maria do Nascimento, em entrevista à TV Gazeta.

Segundo os pais de Miguel, a criança deu entrada na unidade de saúde, ficou internada por algumas horas na Ala Amarela e, depois, foi transferido para a Ala Vermelha. De onde saiu sem vida.

Os familiares cobram esclarecimentos sobre a causa da morte de Carlos Miguel.

O laudo foi realizado pelo Serviço de Verificação de Óbito. "A declaração de óbito foi entregue à família com a causa da morte por Síndrome Infecciosa Febril a esclarecer. Foi colhido paralelamente material histopatológico e enviado para o Lacen para o diagnóstico definitivo. Na declaração de óbito entregue à família consta causa clínica (causa natural)", informou a direção do serviço, explicando que o diagnóstico definitivo deve apontar o que causou a Síndrome Infecciosa Febril.

Investigação

Outro caso recente ocorreu na UPA do Tabuleiro. A família da pequena Isabelly denunciou uma suposta negligência no atendimento da criança, de 7 anos, que morreu cerca de 30 minutos depois de dar entrada no Hospital Geral do Estado (HGE). Antes de ir para o HGE, a criança tinha sido atendida na mesma UPA do Tabuleiro, no mesmo dia.

O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos informou que vai acionar os Conselhos de Medicina e Enfermagem, para que eles analisem a conduta dos médicos e enfermeiros que prestaram atendimento às crianças.

“Isso está chamando a atenção do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos, que vai abrir uma investigação sobre o assunto para que possa fazer uma visita técnica ao local, verificar se os protocolos de atendimento estão sendo corretamente empregados e, também, vamos cobrar das autoridades, a exemplo da PC, a investigação desse caso. O Instituto Médico Legal tem que apontar a causa morte desta criança, que não pode ter causa indeterminada. Alguém sempre morre de alguma coisa. E é necessário isso ser visto pelo perito médico legal. Vamos também cobrar essa providência. Fora isso, estaremos cobrando à Sesau [Secretaria de Saúde do Estado] maior atenção e investigação sobre este caso. Se houve realmente um erro médico ou de pessoas que ali trabalham referente ao atendimento dessa criança”, disse o presidente do conselho, promotor Magno Moura.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informou que determinou a apuração dos fatos relacionados aos atendimentos dos dois pacientes, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Tabuleiro, e que tomará as medidas cabíveis, caso necessárias, após a conclusão do processo.