Especialistas debatem possíveis causas de tremor em Maceió
Evento na sede do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Alagoas também reúne geólogos; fissuras no subsolo seriam a causa mais provável
A sede do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Alagoas (CREA/AL), em Maceió, foi palco, na tarde desta quinta-feira (08), de um encontro que teve como objetivo debater as prováveis causas do tremor registrado na capital alagoana, na tarde do último sábado. Na oportunidade, especialistas voltaram a afirmar que fissuras existentes na região em que o tremor foi mais sentido (parte alta), somadas às fortes chuvas do início da manhã, podem ter ocasionado o fenômeno. Porém, voltaram a ressaltar a necessidade de se buscar ainda mais informações a respeito.
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"A partir de dados obtidos em projetos do qual participamos na universidade [Federal de Alagoas], conseguimos modelar o arcabouço estrutural do subsolo maceioense. Desde que houve este fenômeno do fissuramento, seguido dos abalos, verificamos que ele se enquadra neste arcabouço. Por isso, vamos defender que os estudos sejam aprofundados com base neste levantamento", defendeu o geólogo do CREA, professor Ricardo Queiroz.
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Os especialistas também descartaram o sal-gema - retirado da superfície terrestre - como sendo responsável pelos abalos. Segundo os geólogos presentes, todos os processos feitos pela empresa com atuação em Maceió são rigorosamente fiscalizados, de modo que a Braskem não teria qualquer responsabilidade.
Novamente com a palavra, Queiroz reforçou que as fissuras no subsolo é que podem ter contribuído com o tremor, já que, segundo ele, "todas as regiões que foram afetadas estão em áreas de fissura". "No bairro do Farol, por exemplo, há uma depressão na Rua Miguel Palmeira, nas proximidades do Cepa, onde a drenagem é um problema sério. A cidade em si está cheia dessas depressões", salientou.


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Ainda com base no levantamento apresentado, as chuvas que causaram transtornos nos últimos meses fizeram com que a água penetrasse no solo, por meio das tais fissuras, tornando pastosas as camadas de areia. "Isso ocasionou o 'colapso' dessas camadas, resultando numa transferência de energia próxima dos dois pontos na Escala Richter", emendou.
E o professor universitário destacou também que a Defesa Civil já manteve contato com o Ministério das Cidades para que um grupo de especialistas venha à capital, a fim de esmiuçar tal estudo e, com isso, chegar a uma conclusão sobre o ocorrido - "que não pode ser considerado um terremoto".
"Se tivéssemos um terremoto, ele seria sentido em larga escala. O que registramos foram tremores em pontos específicos da cidade, mas nada em grande escala", assegurou Queiroz, tendo sido complementado pela também geóloga Roxana Campos. "Se não houver uma ação geopolítica, nada vai ser resolvido. Nesse sentido, os maiores interessados não vieram acompanhar este debate", lamentou a também professora da Ufal.
