Carroceiros protestam e cobram indenização da Braskem em Bebedouro

Segundo trabalhadores, a empresa fechou alguns terrenos e deixou outros abertos e os proprietários sem ressarcimento

Dezenas de carroceiros que moram em Bebedouro protestaram, na manhã desta sexta-feira (11), para cobrar indenização por parte da Braskem. Eles querem que a empresa sele todos os terrenos que possuem cocheiras, para que, então, possam ser indenizados. Inicialmente, segundo os trabalhadores, foram ofertados R$ 80 mil, mas, agora, a Braskem ofereceu R$ 20 mil para finalizar o acordo. Os moradores não aceitaram.
Além disso, os trabalhadores dizem que estão passando por necessidades, sem trabalho e até lugar para deixar os cavalos, já que, nos poucos lugares que ainda estão abertos, eles estão sendo proibidos de entrar.  
"Tenho 13 baias e alugo os terrenos para eles não deixarem os cavalos nas ruas, e a Braskem selou o meu terreno, que é grande, mas os pequenos, que têm as baias, eles não selaram. Eles ficaram na mão e a empresa não deu resposta. São 13 famílias de carroceiros que estão à mercê, estão sem trabalho e, agora, sem um local para deixar os animais", afirmou Hélio dos Santos, morador de Bebedouro há 30 anos.
João Viana, que trabalha como carroceiro há 25 anos , disse que está sendo perseguido por seguranças que protegem o local.
"Tenho estrebaria no campo da Sal-gema há 25 anos, uma parte foi selada e outra não, e queremos que eles selem para a gente ter o nosso direito de indenização também. Estamos sendo perseguidos. Criava animais lá dentro e, agora, estamos sendo expulsos e sem direito a nada. Ficamos sem local para colocar o entulho - que é recolhido pela prefeitura e que a gente coloca acima das baias - e, agora, nem entrar estamos conseguindo, eles colocaram um portão que dificultou nosso acesso, não deixam colocar os cavalos", explicou. 
A advogada dos trabalhadores disse que, desde fevereiro deste ano, o caso rola de um lado para outro e que a Braskem não toma providência. De acordo com ela, os carroceiros trabalham recolhendo entulhos na cidade, geralmente de resto de construção, e ganham de R$ 100 a R$ 150 por atividade e que, agora, estão sem renda, sem aluguel social e indenização.
"Eles têm razão (de protestar), a Braskem está desde fevereiro de 2020 passando a situação deles de mão em mão e não deu solução. Selaram todas as casas antes das cocheiras, mas não deram atenção à selagem das cocheiras. Essas famílias sobrevivem da atividade da cocheira, elas têm a posse do terreno e estão passando necessidade até hoje. Vamos aguardar o contato da direção até a próxima terça-feira, quero falar com os responsáveis e eles prometeram que vão nos atender", expôs Josefa Ferreira.
"A ação civil pública e o acordo que foi feito regulamentaram a atenção a essas famílias. São todos seres humanos e precisam ter a devida atenção, precisam receber o aluguel social, receber indenização para ter dinheiro e comprar um novo local para colocar seus cavalos e a carroça", completou.
Por meio de nota, a Braskem informou que atua de acordo com o mapa de desocupação definido pela Defesa Civil de Maceió e vem adotando medidas para acelerar os processos de ingresso dos moradores e comerciantes no Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação. Desde janeiro, mais de 2.220 moradores receberam a compensação financeira e a Braskem já pagou mais de R$ 313 milhões em indenizações, auxílios financeiros e honorários de advogados.
Confira a nota na íntegra:
A Braskem atua de acordo com o mapa de desocupação definido pela Defesa Civil de Maceió e vem adotando medidas para acelerar os processos de ingresso dos moradores e comerciantes no Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação. 
A realocação dos moradores das áreas de risco já atingiu 95% dos imóveis das Zonas A, B, C, D e E. Até o final de novembro, 8.146 imóveis haviam sido desocupados. Desde janeiro, mais de 2.220 moradores receberam a compensação financeira e a Braskem já pagou mais de R$ 313 milhões em indenizações, auxílios financeiros e honorários de advogados.
A Braskem respeita o direito de manifestação pacífica e reitera que sua prioridade é garantir a segurança dos moradores dos bairros.