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Após reunião no MPE, SMTT cede e suspende mudanças no itinerário dos ônibus

Comunidades do Graciliano e Village ameaçavam continuar protestos em terminais caso órgão mantivesse as mudanças

Representantes dos moradores dos conjuntos Graciliano Ramos e Village Campestre se reuniram, na manhã desta quarta-feira (18), com o superintendente municipal de Transportes e Trânsito, Antônio Moura, e a promotora Fernanda Moreira, na sede do Ministério Público Estadual (MPE), para tratar sobre as mudanças nas linhas de ônibus que atendem a região. Após várias horas de discussão, a SMTT decidiu ceder e suspender as mudanças. Também foi dado um prazo de 30 dias para que o órgão faça um novo estudo sobre a situação.

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O resultado da reunião agradou aos moradores, que pediam justamente que os coletivos voltassem a operar como antes, onde cada região tinha suas próprias linhas. "As dificuldades são grandes nas duas comunidades, só que não estamos nem reivindicando melhorias, pois o que queremos é voltar ao que era antes. Essas linhas que eles [Município] tiraram atendem outras comunidades do entorno e todas elas estão sendo afetadas. Hoje, essas comunidades não têm transporte coletivo", disse o líder comunitário do Aracuã, Toni Chicuta.

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"Os ônibus já saem superlotados do terminal, então eles não vão pegar mais ninguém nos pontos nem no outro terminal por conta da superlotação. Não tem condições de esses ônibus comportarem tanta gente em todas essas comunidades", reforçou Chicuta, informando que as linhas afetadas são as que passam por Ponta Verde, Centro e Trapiche.

Ainda conforme o líder comunitário, durante o final de semana, quando a frota diminui, a situação será ainda pior. "Isso prejudica ainda mais, sem falar na questão dos 40 minutos circulando dentro das comunidades. A SMTT diz que vai ter ônibus a cada cinco minutos, mas a gente sabe que isso não é verdade, pode até acontecer nos primeiros dias, mas depois, diminui. Então, não adianta. A população não está de acordo. As lideranças aqui hoje esperam que a SMTT tome uma posição", lamentou Toni.

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Com a decisão, os representantes das comunidades se comprometeram a por fim aos bloqueios dos terminais de ônibus, que têm impedido a saída dos coletivos desde a última segunda-feira. Os protestos nas localidades começaram ainda no fim de semana. Uma carreata será realizada nas ruas do Village e do Graciliano comunicando a todos sobre o retorno do itinerário dos ônibus e o fim da mobilização.

VERSÃO DO MUNICÍPIO

No início da reunião, o superintende da SMTT, Antônio Moura, disse que o órgão lançaria a proposta para que a comunidade desobstruísse os terminais, para que houvesse qualquer conversa e negociação, o que não ocorreu. O encontro, intermediado pelo Ministério Público, aconteceu de forma simultânea à mobilização.

"Esse protesto, da forma como está acontecendo, impede o ir e vir das pessoas, e a gente entende que isso é, inclusive, um ato criminoso. Qualquer mudança pode vir a acontecer, porém, a gente espera que a comunidade experimente a mudança por um período de tempo e, se realmente desagradar, vê que não está atendendo à demanda, obviamente que pode ser revisto. O papel da Prefeitura e da SMTT é zelar pela melhoria para o cidadão, mas isso não dá direito de o usuário bloquear a via, bloquear terminal, murchar pneus e quebrar ônibus, como está acontecendo".

Na ocasião, Moura explicou que as mudanças realizadas estavam previstas em edital. "Nesse caso, o que a gente percebe é um tumulto desnecessário, antecipado ao teste por parte das pessoas. Nossa ideia é manter a mudança, pedindo, primeiramente, que a comunidade libere os terminais, termine esse protesto truculento e ilegal, para que a gente possa sentar e conversar. Claro que a SMTT tem obrigação de atender à comunidade e tentar zelar pela melhoria dos serviços para o usuário final".

Ao final da reunião, Antônio Moura disse que será feita uma avaliação para que, no futuro, haja uma proposta de otimização das vias. "Depois de três horas de reunião juntamente com os membros do MP e lideranças comunitárias, nós chegamos a um consenso de retomar o modelo antigo das linhas daquelas duas regiões com a desocupação dos terminais. Uma nova avaliação será feita para, quem sabe futuramente, haja uma nova proposta de otimização daquelas vias, que será discutida de forma mais efetiva como pediu a comunidade", disse Antônio Moura.

MPE


				Após reunião no MPE, SMTT cede e suspende mudanças no itinerário dos ônibus
FOTO: Tatianne Brandão

A mediação do problema foi feita pela promotora de Justiça Fernanda Moreira, do Núcleo da Fazenda Pública. De acordo com ela, o órgão recebeu, na segunda, a comunidade revoltada com essas mudanças, além de representantes da Real Alagoas, que justificaram o porquê delas, apresentando melhorias e a otimização que está prevista no contrato de concessão.

"O transporte é dinâmico, toda e qualquer modificação é possível, é prevista em lei, desde que atenda ao interesse do consumidor. Como eles não gostaram, sentiram que a mudança não atende aos interesses dele, surgiu esse conflito que precisa ser resolvido, porque a gente não pode esperar a tramitação normal de um procedimento como este; a comunidade toda está sofrendo. E, também, não podemos esperar essa paralisação, que não é boa para a sociedade. A ideia é tentar ouvir todas as partes, procurar ver onde existem os pontos de conflito para que a gente possa, mediando, tentar encontrar a solução para o impasse", salientou a promotora.

O presidente da Associação dos Moradores do Conjunto Graciliano Ramos, Edvaldo Aurélio, informou que as mudanças prejudicaram 26 mil pessoas no Graciliano Ramos e 60 mil nos conjuntos Village Campestre I e II.

O promotor de Justiça Jorge Doria disse que o Ministério Público vai acompanhar as questões envolvendo os itinerários dos ônibus em Maceió.

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