Apesar de cadastro para imóvel, moradores do Pinheiro choram diante da incerteza
Eles se dizem angustiados por ter que mudar do bairro nesta situação de risco
Apesar de a Defesa Civil Municipal ter iniciado cadastro de moradores do bairro do Pinheiro que estão em imóveis condenados devido às rachaduras e afundamento do solo, os possíveis beneficiados pela medida se dizem temerosos e alguns até choram diante da incerteza do futuro. Alguns demonstram preocupação com o valor da ajuda para custear o aluguel e outros já vivem há um ano a angústia pelos prejuízos materiais.
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Edvânia Lima, moradora do Edifício Gazeiras há 14 anos diz que enfrenta uma situação muito complicada e que a possibilidade de ter que sair da sua moradia é ainda mais difícil de aceitar. "Moramos aqui há tanto tempo e agora vamos ter que sair sem saber nem para onde. Se a ajuda de custo for realmente apenas R$ 450 será muito pouco e teremos que pagar condomínio e outro aluguel", reclama.
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Já a aposentada Danúsia Lima, de 82 anos, vive no mesmo prédio no bairro há 48 anos. Ela é uma das que estavam resistentes à mudança. Agora, sem alternativa, conta que está arrumando os móveis e chorando de tanta tristeza. "Estou procurando uma nova casa, mas é tudo acima de R$ 1000; está muito caro. Só de lembrar que eu gastei tanto neste apartamento e agora terei que abandoná-lo, é uma tristeza enorme que dá", relata, bastante emocionada.

"Continuo morando aqui porque estou desempregada, não tenho condições de pegar aluguel e não sei para onde vou. Esses dias estava chovendo e eu olha aquela chuva toda com muito medo, já que minhas paredes estão com rachaduras. Quem tem condições de sair já saiu", disse Ana Maria Queiroz, moradora do condomínio há quarto anos.


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Enquanto isso, as pessoas que já evacuaram os prédios a pedido da própria Defesa Civil estão pagando o aluguel por conta própria. "Está sendo muito difícil. Me mudei a pedido da Defesa Civil, estava ouvindo muitos estalos e preocupada com as rachaduras. O pior está sendo pagar o meu próprio aluguel, porque estou desempregada e a nova moradia está sendo paga pelos meus parentes", disse Rosa Virgínia.

A coordenadora de Monitoramento e Avaliação Social da Defesa Civil, Joana Borba, explicou que neste primeiro momento estão sendo feitos os cadastros das famílias que já evacuaram para garantir o repasse do aluguel social.
O governo federal poderá ajudar a prefeitura no complemento do valor a ser dado aos moradores. O Município se compromete em arcar com R$ 450, com os custos, mas como os aluguéis têm valores superiores a este, será feito um pedido à União para complemento.
Agora, só os proprietários dos imóveis terão direito ao benefício. Inquilinos não terão. De acordo com a Defesa Civil, o valor que poderá ser repassado pelo governo federal vai depender das informações contidas no cadastro. Somente nessa terça-feira, cerca de 20 pessoas tiveram os dados compilados. A previsão é que nesta quarta-feira mais 60 sejam cadastrados.
Segundo Joana Borba, a Defesa Civil ainda não sabe quantas pessoas receberão o benefício. A coordenação espera que até esta sexta seja enviada toda a documentação para Brasília, solicitando a ajuda de custo, porém ainda não há previsão de quando o valor será repassado.
