Morte de irmãos no Village: policiais negam versão de testemunhas durante julgamento

Militares que participaram da abordagem que vitimou dois irmãos no bairro Village, em 2016, foram ouvidos nesta quinta-feira (25) no julgamento do réu, Johnerson Simões Marcelino

Na manhã desta quinta-feira (25), durante o julgamento do policial militar Johnerson Simões Marcelino, acusado de matar os irmãos Josivaldo Ferreira Aleixo e Josenildo Ferreira Aleixo (ambos com deficiência intelectual), além do pedreiro Reinaldo da Silva, em março de 2016, no Conjunto Village Campestre, os outros dois policias presentes na abordagem deram a versão deles do acontecido e negaram a versão apresentada pelas testemunhas do crime.

Os dois policiais, que também se tonaram vítimas no processo, negaram que os meninos teriam sido espancados na abordagem. Segundo os depoentes, o que motivou a suposta troca de tiros teria sido a atitude de um dos irmãos, de tentar pegar a arma de um dos policiais.

O militar que teria lutado pela posse da arma junto com o jovem foi Luiz Fernando Alves, que estava como motorista da viatura. Segundo ele, o réu, que era comandante da operação, havia ficado de contenção, ou seja, acompanhando as abordagens, enquanto ele e o militar Ronald Allysson Dantas teriam abordado os irmãos.

Segundo o depoimento, o rapaz abordado por Luiz Fernando descumpriu a ordem de entrelaçar os dedos e lutou com o policial pela arma, que disparou no momento em que os dois caíram no chão, durante a luta. Ele foi atingido no punho e largou a arma, que ficou em posse do rapaz e por isso o comandante teria atirado.

Policiais negam versão de testemunhas e afirmam que irmão lutou por arma antes dos disparos - Foto: Caio Loureiro / TJAL

“Fui atingido e gritei que fui ferido. O comandante atirou no rapaz após verbalizar para que ele largasse a arma, o que ele não fez. Só assim pude puxar a minha arma de volta. Corri para me proteger e ouvi outros disparos, de tons diferentes. Fui até a viatura para pedir reforço para a segunda força tática que estava de ronda. Fomos socorridos na outra viatura”, afirma o motorista.

Já Ronald Allysson, que também foi atingido, afirmou que se distraiu ouvindo os disparos e, ao se voltar novamente para o outro irmão, durante a abordagem, percebeu um clarão e foi atingido no dedo. Segundo ele, os dois militares teriam ido se abrigar atrás da viatura.

Ronald afirmou ter passado dois anos com um fixador externo e que foi para reserva, após ter que, por fim, amputar o dedo atingido. O militar se emocionou ao lembrar do tratamento e das sequelas.

Os dois alegaram que o local estava pouco movimentado e que não haviam crianças. A abordagem teria acontecido após denúncia de um informante, que foi visto com os rapazes, sobre posse de arma de fogo. No entanto, nenhum dos dois afirmam ter visto as armas em posse dos irmãos, nem de tê-las visto depois do ocorrido.

Houve contradições nos relatos e a promotoria apontou a versão das testemunhas, que davam conta do espancamento dos dois irmãos e de um retorno do réu ao local do crime, para implantar provas. Tudo foi negados pelos depoentes.

Segundo os autos do processo, os militares foram atingidos de raspão pelos tiros disparados pelo réu. A promotoria pede a condenação do PM por homicídios triplamente qualificado e culposo.