Justiça analisa recurso para evitar júri popular de acusado de matar empresário

Caso Maikai: pai da vítima teme que réu confesso seja liberado antes do julgamento definitivo

A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL) julga, nesta quarta-feira (15), o recurso impetrado pela defesa de Marcelo Carnaúba, acusado de matar o empresário Guilherme Brandão, proprietário do Maikai, para evitar o júri popular. O crime ocorreu no dia 26 de fevereiro de 2014, no interior do estabelecimento, que funciona no bairro da Jatiúca, em Maceió.
Marcelo Carnaúba confessou ter matado a vítima, pois o empresário teria descoberto que o réu, que trabalhava no Maikai como gerente administrativo, acumulando ainda a gerência financeira, desviava dinheiro do estabelecimento comercial.
Em setembro de 2015, o réu foi pronunciado por homicídio duplamente qualificado. Objetivando não ser levado a júri popular, ingressou com recurso em sentido estrito no TJ/AL. O recurso também tem como relator o desembargador João Luiz Azevedo Lessa.
O pai do empresário Guilherme Brandão, José Eutínio Brandão, afirmou em entrevista para uma rádio local que a família teme que o réu seja liberado antes do julgamento definitivo. "O receio que eu tenho é do que ele pode estar planejando. Ele é muito perigoso. Como eu vou viver nessa sociedade, ver os meus netos indo para escola todos os dias, os meus filhos trabalhando e transitando pela cidade, sabendo que esse cara vai sair?", disse.
O empresário Guilherme Brandão foi morto com um tiro na nuca. Na época, Marcelo Carnaúba, o então gerente do Maikai, chegou a simular um latrocínio. Ele escondeu a arma do crime na caixa de energia da casa noturna. Ao relembrar o crime, José Eutínio acusa o réu de ter planejado toda a ação. 
"Ele não só matou, ele preparou e planejou tudo. No dia da minha viagem, ele pediu R$ 80 mil emprestado e, com esse dinheiro, comprou o revólver que utilizou para assassinar o meu filho. Olha a periculosidade dele: criou um álibi e utilizou as câmeras do super mercado que fica em frente. Pedimos à Justiça alagoana que esse bandido continue preso até o julgamento final. Ele preparou a morte do meu filho, se declarou culpado e agora vai ficar fora das grades?", lamentou.