Após 15 anos, Justiça julga acusado de assassinar vereador de Anadia
Wallemberg Wanderson Torres será julgado no dia 10, em Maceió; família de Luiz Ferreira cobra punição dos envolvidos

Após 15 anos de espera, a Justiça de Alagoas realiza, no próximo dia 10 de setembro, o julgamento de Wallemberg Wanderson Torres da Silva, apontado como um dos executores do assassinato do vereador de Anadia Luiz Ferreira. O júri está marcado para as 8h, na 9ª Vara Criminal do Fórum do Barro Duro, em Maceió.
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Para a família de Luiz Ferreira, o julgamento representa mais um passo na busca por justiça e pela responsabilização de todos os envolvidos no crime. Viúva do vereador, Rita Namé publicou um texto às vésperas do julgamento e afirmou que, mesmo após 15 anos, os familiares continuam cobrando respostas sobre quem teria ordenado a execução. “Todo esse folclore em torno dos matadores, dos milicianos, dos capangas, esconde o fato mais importante: quem mandou matar?”, escreveu.
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Segundo as investigações e as provas apresentadas no processo, Wallemberg teria recebido R$ 500 para participar do assassinato. Ele também teria participado de reuniões com outros integrantes do grupo nos dias que antecederam o crime e na data da execução. Conforme a acusação, ele seria o responsável por dirigir o veículo utilizado na ação criminosa.
O assassinato de Luiz Ferreira teria sido motivado por uma disputa política em Anadia. Na época, o vereador declarou, durante entrevista a uma rádio de Maribondo, que votaria favoravelmente à abertura de um processo de investigação contra a então prefeita Sânia Palmeira. Ele também havia manifestado a intenção de disputar a Prefeitura de Anadia.


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Segundo familiares e as investigações, Luiz não possuía histórico de inimizades ou conflitos pessoais que pudessem apontar para outra motivação. Para a família, o posicionamento político do vereador teria feito com que ele se tornasse um desafeto da então prefeita.
Família afirma conhecer suposto mandante
Rita Namé afirma que a família sempre acompanhou o processo e que os familiares chegaram a sofrer ameaças após o assassinato. Segundo ela, a leitura dos autos e de provas reunidas durante a investigação reforçou a convicção dos familiares sobre quem teria interesse na morte do vereador.
“Nós, família de Luiz Ferreira, sabemos quem mandou matar ele, sempre soubemos. Nós lemos o processo, vivemos ameaças, ligamos os fatos e as provas”, afirmou.
No texto, Rita também criticou o que considera uma cultura de violência política utilizada para preservar estruturas de poder. Ela citou casos históricos de pistolagem e afirmou que a atenção não deve se concentrar apenas nos executores.
“Mas os mandantes desfilam na cara das famílias, seguem na política, com seus filhos, sucessores da herança de poder e morte e seguem impunes”, escreveu.
Vereador era médico e professor
Luiz Ferreira era médico, professor universitário e vereador de Anadia. De acordo com Rita, ele defendia políticas públicas e atuava em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e da universidade pública.
“Meu pai nunca mediu esforços para ajudar quem precisasse, mas ele não era uma pessoa da caridade, era da política pública, defensor e trabalhador do SUS, da universidade pública e da política, como um lugar possível de levar àqueles que mais precisam direitos sociais”, escreveu Rita no texto.
Entre as iniciativas atribuídas ao vereador durante sua passagem pela Câmara Municipal está a criação do Conselho Tutelar de Anadia, órgão voltado à proteção de crianças e adolescentes.
Rita também relembrou que Luiz havia assumido uma postura de oposição política e que, segundo ela, pretendia apresentar um dossiê com denúncias relacionadas à administração municipal.
De acordo com o relato da viúva, antes do assassinato teriam ocorrido tentativas de impedir uma sessão da Câmara Municipal e de influenciar vereadores. Depois disso, segundo ela, Luiz foi assassinado a tiros enquanto voltava para casa.
“Depois que se esgotaram as possibilidades, mataram ele, na estrada, à luz do dia, fuzilado em seu carro voltando pra nossa família”, afirmou.
Família relata tentativa de ataque à residência
Rita também contou que, semanas antes do assassinato, pessoas que, segundo ela, estariam interessadas na morte do vereador participaram de um almoço na residência da família.
Segundo o relato, durante o encontro foram feitas perguntas sobre a segurança da casa e a existência de câmeras. Posteriormente, conforme Rita, a família teria descoberto, ao ter acesso ao processo e à delação premiada de um dos executores, que o assassinato poderia inicialmente ocorrer dentro da residência.
“Essa resposta dela, por pura desconfiança ou intuição, depois soubemos, nos salvou de uma chacina”, afirmou Rita, referindo-se à mãe de Luiz.
Outros quatro réus já foram condenados
Além de Wallemberg, outros quatro réus já foram julgados e condenados pelo assassinato. As penas chegaram a aproximadamente 30 anos de prisão.
Após o julgamento do dia 10 de setembro, ficará pendente a situação de Sânia Palmeira, apontada no processo como suposta mandante do crime. A ex-prefeita encontra-se atualmente em prisão domiciliar.
Segundo a família de Luiz Ferreira, uma série de recursos judiciais apresentados ao longo dos últimos 15 anos contribuiu para adiar o julgamento da acusada.
Para Rita, o tempo não apagou o impacto da morte do marido nem a cobrança por responsabilização dos envolvidos.
“Violência é violência, morte é morte, não é coragem, não é paixão, não é nada disso. Coragem e amor são outra coisa. Coragem é seguir na vida de cabeça erguida e lutando por uma política de justiça social e ética. Como minha família seguiu.”
