Botulismo pode ter causado morte de rebanho no Agreste, diz veterinário
Apesar da suspeita, material coletado está em análise fora do estado; ao todo, 12 cabeças foram perdidas
O veterinário Wyrlanilson Luiz, chefe da Unidade Local de Sanidade Animal e Vegetal (Uslave), vinculada à Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas (Adeal), informou àGazetaweb, na manhã desta segunda-feira (6), que a doença misteriosa causadora da morte de gados no Agreste pode ser botulismo. A suspeita recaiu após uma análise feita no rebanho.
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O surto da doença começou durante o carnaval, em duas fazendas localizadas nos Sítios Pau d`Arco e Bálsamo, na zona rural de Arapiraca, onde os animais amanheceram doentes, debilitados e sem vontade de se alimentar. Com três dias, morreram.
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Na primeira fazenda, o proprietário perdeu sete cabeças na festa de Momo e uma logo após este período. Já na segunda, o criador lamentou a morte de quatro animais. Surgiu uma informação de que o município de Feira Grande teria sido afetado, mas, segundo o veterinário, foi "apenas boato".
"Fizemos análises no rebanho morto da primeira fazenda, onde houve mais ocorrências. Pelas características da doença, pode ser botulismo, ou seja, a ingestão de toxinas produzidas por uma bactéria, causando paralisia e dificuldade de respirar, acarretando a morte do gado. Porém, como não podemos atestar, o material coletado do rúmen (parte do estômago), intestino e fígado foi levado a um laboratório em outro estado para se descobrir a causa real das mortes", explicou o veterinário, informando não saber quando sairá o resultado.


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Como o gado ainda não tinha sido vacinado contra botulismo, os criadores foram orientados a vacinar o rebanho para evitar outras ocorrências. Enquanto isso, os veterinários da Adeal ficam acompanhando a situação dos animais no interior de Alagoas.
"Não recebemos nenhum chamado posterior. Esperamos que o quadro se reverta. Vamos aguardar o resultado para tomar outras medidas, se possível", reforçou Luiz.
A DOENÇA
O botulismo é uma doença/intoxicação causada pela ingestão e absorção intestinal de toxinas produzidas peloClostridium botulinum, uma bactéria, bastonete anaeróbio, formador de esporos, que acomete diferentes espécies, inclusive o homem. O botulismo bovino, também conhecido como "doença da vaca caída", ocorre em diversas regiões do país.
OClostridium botulinumpode permanecer no solo e em matéria orgânica, por longos períodos, em sua forma resistente - os esporos - sem causar doença. Porém, quando encontram um ambiente favorável de anaerobiose, ou seja, sem oxigênio, os esporos germinam e produzem neurotoxinas. Após absorção pelo trato intestinal, as toxinas se ligam a receptores de terminações nervosas, resultando em paralisia flácida e morte do animal em virtude de parada respiratória.
O animal com botulismo tem dificuldade para se locomover devido à paralisia dos membros posteriores, que pode evoluir para os membros anteriores, permanecendo a maior parte do tempo deitado. Com a evolução da doença, o animal não consegue mais levantar-se e tem paralisia dos músculos da mastigação.
Nas fases mais adiantadas da doença, o animal apresenta dificuldade para respirar, em consequência da paralisia flácida progressiva dos músculos esqueléticos pela ação da toxina, embora apresente estado mental e sensorial normal. A morte do animal é precedida por coma seguido de insuficiência e parada respiratória.
