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Viúva de Marielle, Mônica Benício vem a Alagoas para receber prêmio

Em entrevista, ela falou sobre o crime e também sobre o possível envolvimento da família Bolsonaro

Viúva da vereadora Marielle Franco, morta a tiros em março de 2018, a arquiteta Mônica Benício chegou à capital alagoana nesta sexta-feira (6) para o Prêmio Alagoas de Direitos Humanos 2019. Ela será uma das homenageadas no evento, que acontece no Hotel Ritz Lagoa da Anta, no bairro de Cruz das Almas.

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Em Maceió, Mônica concedeu entrevista ao radialista Marcos Rodrigues, da Rádio Mix FM, e falou sobre a luta para que o crime contra a companheira seja desvendado e os responsáveis, punidos. Ela lembrou a trajetória de Marielle, que era defensora dos Direitos Humanos, e falou também do envolvimento da família Bolsonaro no episódio.

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"A série de coincidências que acabaram relacionando o nome da família presidencial aos acusados foi algo que surpreendeu. Hoje tem uma linha das investigações que aponta o nome da família do presidente em um possível envolvimento. Minha luta por justiça independe de onde o mandante do assassinato da Marielle esteja sentado, se na Presidência ou na cadeira do Vaticano, quero que quem fez isso seja responsabilizado".

Mônica também explicou o motivo de se mostrar contrária à federalização do caso. De acordo com ela, o inquérito, que já chega quase aos dois anos e tem milhares de páginas, deve continuar a ser comandado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e pelo Ministério Público do Estado.

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"Para federalizar teria que haver uma inércia, uma comprovação de o MP e a polícia não estariam trabalhando por não quererem. Mas se temos duas pessoas presas como acusados, isso não procede. E o governo federal fez uma investigação sobre a investigação", diz.

Ela questiona o interesse tardio de Bolsonaro. "Quando era candidato, ele sempre optou pelo silêncio ao ser questionado sobre a morte da Marielle. Após ter assumido, também nunca demonstrou preocupação, assim como o ministro Sérgio Moro. Agora quando teve uma menção ao nome da família Bolsonaro no caso, subitamente houve interesse na federalização. Então é muito lamentável".

Milícia e segurança


				Viúva de Marielle, Mônica Benício vem a Alagoas para receber prêmio
FOTO: Reprodução/TV Globo

Durante a entrevista, Mônica Benício criticou as milícias. "A milícia é o que hoje tem de mais perigoso no Brasil. É um grupo de paramilitares, com militares não só fora da ativa, mas também na ativa. Precisamos compreender que a milícia é Estado no Brasil, tem cadeira no Senado, na Câmara do Rio, na Câmara Federal. É uma composição que tem braço político e vem ganhando força".

Segundo a arquiteta, a morte da companheira trouxe diversas mudanças para sua vida, inclusive na segurança. "Tenho uma vaga lembrança de quem eu era antes da noite do 14 de março. Hoje minha vida ficou devotada na militância dos Direitos Humanos e na campanha por justiça para Marielle", ressalta.

"Tenho uma medida cautelar da Comissão Interamericana, que é um pedido para que o Estado brasileiro garanta minha segurança, e também estou dentro do Programa de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos, mas minha rotina de segurança tem medidas sem alterar muito a minha rotina, mas com prevenção."

Atualmente filiada ao Psol e assessora do deputado federal Marcelo Freixo, do mesmo partido, a viúva da vereadora lamentou os episódios de violência e intolerância envolvendo o nome dela. "Enquanto ela foi homenageada pelo mundo, no Rio aconteceu o episódio lamentável de um então candidato, hoje deputado, ter quebrado uma placa simbólica em homenagem a ela. Isso ampliou ainda mais a repercussão e fez uma movimentação de solidariedade e comoção".

Além dela, também recebem o Prêmio Alagoas de Direitos Humanos 2019 o padre Manoel Henrique, ativista social que se destaca pela luta em prol dos mais vulneráveis, e o o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Nacional, Felipe Santa Cruz.

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