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Sem negociação salarial com o governo, policiais civis ameaçam greve geral em AL

Presidente do Sindpol anunciou que decisão da categoria será decidida em assembleia daqui a 15 dias

Sem um canal de negociação com o governo de Renan Filho (MDB), os policiais civis de Alagoas devem decidir, dentro de 15 dias, se paralisam as atividades ou se deliberam por uma greve geral por tempo indeterminado. O anúncio foi feito pelo presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol/AL), Ricardo Nazário, durante entrevista à rádio98 FM, na manhã desta terça-feira (3).

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A categoria iniciou a campanha salarial e busca a primeira reunião com o Executivo para discutir, ao menos, 12 pontos de reivindicação. As tentativas para uma audiência com o Estado iniciaram ainda em junho, mas nenhum dos quatro ofícios encaminhados ao governador Renan Filho, à Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio (Seplag) e ao Gabinete Civil foi respondido até agora, segundo Nazário.

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Nas próximas duas semanas, os diretores do Sindpol informaram que vão visitar as delegacias para reforçar a mobilização com os agentes e escrivães e preveem uma assembleia daqui a 15 dias para decidir os rumos. A possibilidade de uma paralisação não está descartada e a condição para que isto aconteça é o governo não abrir o canal de diálogo com a categoria.

"Todas as vezes, o governo força as paralisações ou uma greve. O governo de Alagoas é intransigente e não quer nem sentar para negociar com a categoria. Portanto, se isto acontecer, a culpa não é do Sindpol, mas unicamente do governador. O sindicato está tentando abrir o canal de negociação para evitar esta medida extrema", explica.

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Nazário informou que há garantia, sim, de espaço no Orçamento do Estado para concessão de melhorias salariais aos policiais civis. "O governo sempre fala que os gastos já alcançaram 48% do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal [LRF], mas o curioso é que são incluídos nestes cálculos os aposentados, cargos comissionados, que não deveriam estar", completa.

Ele também cita que os agentes brigam há anos para reconhecimento da periculosidade da atividade desenvolvida no dia a dia e buscam o aumento do efetivo, atualmente defasado. "Temos um efetivo mínimo nas delegacias, que não consegue atender a sociedade a contento. Nosso histórico é de realização de concurso público a cada 10 anos. Atualmente, o efetivo é de 1.700 policiais civis, sendo 600 já aptos para aposentadoria", reforça.

No entanto, o presidente do Sindpol lembra a existência de uma lei estadual, de 1993, que previa 4 mil agentes no quadro estadual. Este quantitativo nunca foi respeitado. "O que vemos, na nossa rotina, é acúmulo de serviço e falta de condições de trabalho. A culpa é do Estado de Alagoas, que não faz concurso público e não garante efetivo suficiente".

Com consequência do baixo efetivo, ele diz que mais de 10 mil inquéritos estão parados nas delegacias porque não tem delegados suficientes, escrivães e agentes para tocar as apurações. "Nas reuniões, sabe-se que há uma orientação da gestão para que a Polícia Civil priorize as investigações de crimes contra a vida, no caso, os homicídios. Os demais crimes ficam abarrotados nas mesas dos delegados".

Além disso, a categoria aguarda o serviço voluntário na Polícia Civil, como já foi implantado na Polícia Militar. A promessa não foi cumprida ainda pelo governador Renan Filho. E também cobram a criação de uma Lei Orgânica para a instituição. "O próprio Sindpol fez um esboço de um projeto de lei, com base na Confederação, quando a iniciativa deveria ser do Poder Executivo", destaca Nazário.

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