'Parece que tudo era uma despedida': companheiro relata morte de cabeleireiro após reação alérgica em praia de AL
Lucas Cerqueira relembrou os últimos momentos ao lado de Eryvelton Gomes durante viagem à Praia do Francês

O companheiro do cabeleireiro Eryvelton Gomes, de 34 anos, relatou em entrevista os últimos momentos vividos ao lado do parceiro durante uma viagem à Praia do Francês, em Marechal Deodoro. O turista morreu após sofrer uma grave reação alérgica depois de comer caranguejo.
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Emocionado, Lucas Cerqueira contou que a viagem havia sido planejada pelo casal como um período de descanso após meses de trabalho intenso em Cuiabá, no Mato Grosso.
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“Foi uma viagem totalmente programada, planejada para a gente tirar férias. Era o sonho dele”, disse.
Segundo Lucas, Eryvelton estava feliz desde os preparativos e viveu a experiência intensamente durante os dias em Alagoas. Ele contou que o companheiro não costumava gostar de fotos, mas que, durante a viagem, pedia constantemente para ser filmado e fotografado.


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“Ele não era uma pessoa de foto. Você pegava o celular dele e só tinha foto de cabelo. Lá ele falava: ‘Amor, tira uma foto minha, amor, filma eu aqui’. Parece que tudo era uma despedida”, afirmou.
Lucas revelou ainda que era a primeira vez que Eryvelton conhecia o mar.
“Ele falou para mim que estava realizando o sonho da mãe dele, que já é falecida”, relatou.
O casal estava junto havia quase dois anos e trabalhava no mesmo salão de beleza em Mato Grosso. Segundo Lucas, os dois construíram juntos a trajetória profissional e o espaço onde atuavam.
“Ele era meu parceiro em tudo. Perder ele abriu um buraco dentro do meu coração que eu não sei como vou tapar”, desabafou.
Reação começou após consumo de caranguejo
Lucas contou que o casal chegou à praia por volta das 10h da manhã e passou parte do dia no mar. Segundo ele, os dois consumiram acarajé e aguardavam o almoço quando um vendedor apareceu oferecendo caranguejo.
De acordo com o relato, Eryvelton queria experimentar o alimento desde a chegada a Alagoas.
“Eu perguntei se não ia ter problema, mas ele falou que achava que não tinha nada a ver”, contou.
Lucas chegou a gravar o momento em que o companheiro experimentava o caranguejo. No vídeo, Eryvelton brinca dizendo que estava “pronto para morar na praia”.
Pouco depois, os sintomas começaram.
“Foi um minuto e ele começou a sentir a garganta coçar”, afirmou.
Segundo Lucas, naquele momento começou uma chuva e o grupo foi orientado a procurar uma área coberta. Durante o trajeto, Eryvelton passou a sentir falta de ar.
O cabeleireiro tinha bronquite asmática e utilizou a bombinha várias vezes no percurso.
“Foi aí que eu percebi que ele não estava bem”, disse.
Corrida por socorro
Desesperados, Lucas e familiares saíram em busca de uma farmácia para conseguir medicação, enquanto socorristas da praia iniciavam os primeiros atendimentos.
Quando retornaram, Eryvelton já estava desacordado.
“Tentaram reanimar ele, colocaram oxigênio e falaram sobre adrenalina, mas disseram que não tinham preparo para aplicar a medicação”, relatou.
Lucas afirmou acreditar que os socorristas fizeram o possível diante da estrutura disponível, mas criticou a ausência de profissionais preparados em uma praia movimentada.
“Numa praia tão grande daquela não ter um médico ou enfermeiro preparado para aplicar essa medicação”, declarou.
Eryvelton foi levado para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas não resistiu.
Segundo Lucas, o médico informou que a causa da morte foi insuficiência respiratória provocada pela reação alérgica.
“O médico falou que ele ficou muito tempo sem oxigênio e que provavelmente foi uma alergia ao caranguejo”, contou.
A família realizou uma campanha nas redes sociais para arrecadar recursos para o traslado do corpo até Cuiabá, onde o cabeleireiro foi sepultado.
