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Na busca por origem de óleo, pesquisadores encontram resposta sobre os fardos

Labomar diz que encontrou a explicação para as caixas que encalham nas praias nordestinas desde o final de 2018

Pesquisadores do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC) descobriram a origem dos fardos de borracha encontrados na costa do Nordeste. A equipe estava estudando dados históricos, físicos e biológicos para explicar o surgimento das manchas de óleo que vêm sendo registradas no litoral nordestino.

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Após análise das informações, chegaram à conclusão de que os fardos vieram do navio alemão SS Rio Grande, naufragado na costa do Recife (PE), em 1941.

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Estávamos investigando a hipótese de que esse naufrágio, que ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, era a fonte do óleo, já que este material, por coincidência, chegou aos mesmos locais nos quais os fardos chegaram no ano passado. Além disso, o navio carregava uma grande quantidade de óleo combustível quando afundou", afirma o professor Carlos Teixeira, oceanógrafo físico do Labomar.

"No entanto, alguns colegas da Universidade Federal da Bahia, usando informações da Petrobras, disseram que o óleo encontrado era bruto, não tinha característica de combustível, e também seria óleo novo - ou seja, não teria quase 80 anos de idade. Apesar dessa informação preliminar, ainda precisamos de análises para ver se de fato ele é novo ou não", pontua. "Como resultado desse estudo sobre o óleo, acabamos descobrindo a origem dos fardos. Miramos em um problema e acertamos em outro", diz o pesquisador.

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A partir de uma inscrição que estava nas caixas, a equipe fez uma pesquisa utilizando registros históricos sobre naufrágios e conseguiu identificar o navio, que está afundado a 1 mil km da costa de Recife e se encontra a aproximadamente 5,8 km de profundidade. Além de Carlos Teixeira, os professores Luis Ernesto Bezerra e Rivelino Cavalcante, também do Labomar, fizeram simulações no computador, tomando como base a direção e intensidade das correntes oceânicas e dos ventos, calculadas a partir da posição do naufrágio.

"Uma coisa que também estamos fazendo - no caso, o professor Luís Ernesto - é estudar os organismos que estavam nas caixas de borracha, para comprovar esta hipótese. As cracas, por exemplo, não se desenvolvem a 5 mil metros de profundidade, que é a profundidade onde o navio se encontra. Elas só se mantêm perto da superfície. Através do cálculo da idade delas, teríamos uma ideia de quanto tempo as caixas estiveram boiando", explica.

Os fardos começaram a aparecer nas praias de Alagoas no dia 24 de outubro de 2018, sendo a primeira ocorrência no Ceará registrada apenas dois dias depois. Caucaia, Camocim e Aracati foram os primeiros locais no estado. Em Fortaleza, os primeiros pacotes chegaram após cinco dias, na praia do Serviluz. Pesando cerca de 100 kg e identificados um mês depois pelo laboratório do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL) como sendo composto por borracha, a origem deles permaneceu como um mistério até o estudo anunciado ontem pelo Labomar.

Como a descoberta foi feita na terça, 8, a equipe ainda está trabalhando na produção de um artigo científico para apresentação dos resultados.

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