Menu lateral
Imagem
Imagem
Imagem
Gazeta >
AO VIVO

ASSISTA

TV GAZETA AL
AO VIVO

ASSISTA

GAZETA NEWS
GAZETA 94.1 - Maceió AO VIVO

GAZETA 94.1

Maceió
GAZETA FM 98.3 - Maceió AO VIVO

GAZETA FM 98.3

Maceió
GAZETA 101.1 - Arapiraca AO VIVO

GAZETA 101.1

Arapiraca
GAZETA 101.3 - Pão de Açúcar AO VIVO

GAZETA 101.3

Pão de Açúcar
CLASSIC - Rádio Web AO VIVO

CLASSIC

Rádio Web
Imagem
Menu lateral Busca interna do GazetaWeb
Imagem
AO VIVO

ASSISTA

TV GAZETA AL
AO VIVO

ASSISTA

GAZETA NEWS
GAZETA 94.1 - Maceió AO VIVO

GAZETA 94.1

Maceió
GAZETA FM 98.3 - Maceió AO VIVO

GAZETA FM 98.3

Maceió
GAZETA 101.1 - Arapiraca AO VIVO

GAZETA 101.1

Arapiraca
GAZETA 101.3 - Pão de Açúcar AO VIVO

GAZETA 101.3

Pão de Açúcar
CLASSIC - Rádio Web AO VIVO

CLASSIC

Rádio Web
X
compartilhar no whatsapp compartilhar no whatsapp compartilhar no facebook compartilhar no linkedin
copiar Copiado!
ver no google news

Ouça o artigo

Compartilhe

Mundaú devastada: Água deu lugar a chão rachado e rastro de poluição

Pescadores relatam processo de desertificação e diminuição da vida aquática

Da junção de dois termos na língua tupi ('mondá' e 'y') formou-se "Mundaú". Ao pé da letra, o termo significa "água de ladrão". Parece até que o batizador era vidente. Previa que, no futuro, iriam usurpar, sem piedade, o bem mais precioso da Lagoa Mundaú. O ecossistema morre um pouco a cada dia, deixando para trás um rastro fétido, podre e, agora, seco. Antes verdinha, a vegetação que margeia o ambiente estuarino virou palha amarela e quebradiça. A água foi embora e deu lugar ao chão rachado, típico do cenário das regiões sertanejas. Protagonistas da lagoa, os pescadores só têm a lamentar. Alguns não escondem as lágrimas. Sentem que padecem na mesma proporção do local onde ainda retiram o sustento.

Tudo em um só lugar.

Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

ACESSE O GRUPO >
Aplicativo na whatsapp Store

A Lagoa Mundaú tem cerca de 27 km² e constitui o baixo curso da bacia hidrográfica do rio Mundaú, que drena uma área de 4.126 km² e percorre 30 municípios, tendo oito sedes municipais ribeirinhas. Junto com a Manguaba, ela forma o Complexo Estuarino Mundaú-Manguaba, que alcança direta e indiretamente uma população superior a 260 mil habitantes que vive no seu entorno, dos quais 5 mil são pescadores.

Leia também


				Mundaú devastada: Água deu lugar a chão rachado e rastro de poluição
FOTO: Ailton Cruz - Gazeta de AlagoaS

Quando chegou à comunidade de Fernão Velho, há 42 anos, Noel Marcelo do Nascimento já sobrevivia da pesca. Nasceu em Santa Luzia do Norte e aprendeu com o pai e os tios o ofício. Lá, começou as primeiras aventuras na caça aos peixes. Quando veio a Maceió, lembra que encontrou a lagoa transbordando, cheia de vida marinha. Dava gosto, diz ele, de sair para pescar cedinho e no fim da tarde. "O barco voltava cheio. Eram cinquenta, sessenta quilos de peixes nobres", recorda o pescador, ressaltando que viveu esta época áurea há pouco mais de dez anos.

O que ele enxerga agora? Somente poluição, despejada às toneladas o tempo todo por esgotos domésticos e industriais; além de contaminação do solo e do lençol freático, comprovada por pesquisas feitas pelos órgãos ambientais; assoreamento acelerado da lagoa com deposição de sedimentos; parcelamento inadequado do solo e construções impróprias nas orla lagunar; queima, corte e aterro de manguezais; ocupação das encostas dos tabuleiros; redução dos estoques e contaminação dos pescados; e deterioração do patrimônio cultural.

Shorts Youtube
Play
Estrutura metálica desaba em obra da Ponte do Futuro e deixa trabalhador morto

Estrutura metálica desaba em obra da Ponte do Futuro e deixa trabalhador morto

Play
Vídeo mostra últimos momentos de jovem encontrada morta em condomínio de Fortaleza

Vídeo mostra últimos momentos de jovem encontrada morta em condomínio de Fortaleza

Play
Balde de água fria no aniversário do CRB - 21/09/2026

Balde de água fria no aniversário do CRB - 21/09/2026

Play
Incêndio atinge apartamento na Ponta Verde

Incêndio atinge apartamento na Ponta Verde

Play
Acidente na BR-101 deixa feridos em Porto Real do Colégio

Acidente na BR-101 deixa feridos em Porto Real do Colégio

Quando percebe o quanto a lagoa encurtou ao longo dos últimos anos e a diminuição da fonte que parecia inesgotável, Noel chora. Repete, inúmeras vezes, que a Mundaú é comparada à sua segunda mãe, fazendo uma analogia ao sustento retirado dela ao longo de todos estes anos. "Vi minha mãe morrer diante de mim e, agora, é triste perceber que minha segunda mãe está se acabando. O pior de tudo é saber que ninguém, importante, consegue mudar este destino. A lagoa está 99% morta. Falta apenas um tiquinho para ela se acabar de vez", afirma.

O pescador diz recordar que a água da lagoa atingia o nível de seis metros de fundura no quintal da residência dele. Passou-se o tempo e a realidade é outra. Para sair com o barco, agora, ele improvisou uma corda no corredor, amarrada a troncos de árvores, com a qual usa força para empurrar e se equilibrar para arrastar a embarcação ao local mais fundo, que não passa de um metro e meio de profundidade. Ele represou água no terreno, antes alagado, para conseguir movimentar o barco. No entanto, o líquido só concentra dejetos, assim como a maior parte da lagoa.

Onde pisa, o solo é seco e o lodo endureceu, rachando em seguida. Os dias de pesca diminuíram. As redes, antes usada religiosamente a cada manhã, agora servem de enfeite em um varal do terreiro da residência. O pescador lembra que tem passado meses sem utilizá-la. Antes, como recorda, conseguia a proeza de mergulhar e capturar o peixe com a boca. Era comum, ele lembra, o pescado saltar e parar no barco. Agora, de tão superficial e cheia de esgoto, a lagoa não brota mais tantas espécies.

"O único peixe que ainda aparece aqui na lagoa é o 'moré da lama' e os pescadores ainda estão sobrevivendo destes peixinhos. Outras qualidades, não aparecem mais. Difícil pegá-los por estas bandas. Não tem mais nada", confirma Noel. Ele diz que percebeu a sequidão mais acentuada na Mundaú nos últimos dois anos, fenômeno que deixou a comunidade ainda mais preocupada.

FAMÍLIAS VEEM SUSTENTO AMEAÇADO

Noel mostra as mãos calejadas e conta parte da história de vida sem receios. Uma trajetória digna e humilde. A partir da lagoa, conseguiu sustentar a família até hoje. Entretanto, quando observa locais tidos como férteis, a exemplo da localidade conhecida como boca do rio (o mais fundo da lagoa na região de Fernão Velho), percebe que a esperança de dias melhores está cada vez mais distante.


				Mundaú devastada: Água deu lugar a chão rachado e rastro de poluição
FOTO: Ailton Cruz - Gazeta de Alagoas

A reportagem daGazetaweb foi convidada, pelo pescador, para ir a esta área. Entre as remadas até lá, o percurso é marcado pelo odor de esgoto e as águas mudam de coloração pelo volume lançado de dejetos. O remo não consegue afundar mais do que um metro, revelando que o nível das águas é cada vez mais baixo. No dia em que o 'passeio' foi feito, a maré estava alta. Mesmo assim, a profundidade não passou de um metro e meio.

Na boca do rio, o cenário é frustrante. A vegetação seca avança, mesmo sendo regada dia e noite pelas águas sujas da lagoa. Uma água-viva foi avistada boiando, mas nem ela tinha mais vida. Peixe nenhum saltou. Apesar da realidade constatada, a vista é bela ao horizonte. É evidente o crescente avanço, desordenado, do setor imobiliário. Casas são construídas às margens da Mundaú sem estrutura de saneamento, o que reforça a degradação do ecossistema. No alto do morro, recheado de Mata Atlântica, clarões foram abertos. Condomínios de luxo tiram o brilho da vegetação anteriormente intocável.

Noel enxerga o cenário e confirma que o horizonte bonito lhe traz mais esperança. As evidências atuais não garantem nada, mas ele revela ter um grande desejo no coração: gostaria de ver os filhos trabalhando como pescadores. A realidade degradante, no entanto, já o faz pensar que o anseio não se tornará realidade. Os garotos estão sendo incentivados a estudar, embora aprenderam com pai o ofício. Sabem manusear o remo, tirar o barco e colocar o motor para funcionar. Seguir a profissão, porém, não querem.

O pescador diz que muitos de seus amigos da juventude saíram de Fernão Velho em busca de 'coisas melhores' para fazer. Tiveram a convicção de que não conseguiriam sobreviver unicamente da lagoa. Os que permaneceram na área sofrem com as mesmas dificuldades e buscam no sururu - única fonte quase inesgotável da Mundaú - a alternativa para seguir em frente. Ele, próprio, já pensou em partir para outra área, mas alega ter receio de não se adaptar.

"Também capturo o sururu, embora todo pescador enche os olhos e abre um sorriso largo quando pesca um peixe. A gente usava as armadilhas na lagoa, as caiçaras, por exemplo, e capturava muitos peixes por dia. Tinha dia de a gente voltar com vários quilos de espécies nobres. Hoje, não temos mais esta realidade, infelizmente. E isso me causa grande tristeza", conta, com os olhos marejados.

E o que ele espera do local de trabalho para os próximos cinco anos? "Se nada for feito, isto vai acabar por completo. Se vocês voltarem daqui a uns anos, poderão perceber que a lagoa vai secar ainda mais. Recuar muitos metros", avalia.

[VIDEO2]

"Não sou ator de novela para encenar essa tristeza. Me dá uma dor no coração ver que minha segunda mãe está morrendo e sem que eu possa fazer nada?. Hoje, ele está aposentado e faz um apelo dramático, às autoridades, para que uma solução seja dada o quanto antes.

"Se fizerem uma dragagem na boca do rio com a lagoa, talvez melhore a situação aqui. Peço às autoridades competentes, que têm o poder nas mãos, que possam desassorear esta bacia que está morrendo. Se estas autoridades se juntassem, poderiam procurar uma maneira de nos ajudar. Vivo aqui há 42 anos e estou vendo a lagoa se acabando. A nossa família vai sobreviver de quê? Quem não gostaria de ter um filho pescador, mas eu não incentivo a eles. E eles vão morrer de fome? Eu só não morri de fome ainda porque cresci. Se eu estivesse sobrevivendo unicamente da pesca, já tinha me acabado. Então, eu peço, em nome de Deus, Todo Poderoso, que essas autoridades tenham consciência e façam alguma coisa para salvar esta lagoa...", afirmou o pescador, bastante emocionado.

ESPÉCIES PRATICAMENTE DESAPARECERAM

Pescador desde os 8 anos, José Luiz Pedro Júnior, agora com 33 anos de idade, sobrevive, atualmente, da captura do sururu. Morador do Dique Estrada, no Vergel do Lago, ele diz que a poluição da lagoa é o seu maior receio. O volume de espécies lagunares, com o tempo, desapareceu, obrigando-o a abrir um bar na frente de casa para complementar a renda.


				Mundaú devastada: Água deu lugar a chão rachado e rastro de poluição
FOTO: Ailton Cruz - Gazeta de Alagoas

"Antes, saía para pescar e voltava com cinquenta quilos de peixe tranquilamente. A lama suja impede, agora, que os peixes sobrevivam. Resta apenas o sururu, que também está em menor quantidade devido ao assoreamento", lamenta.

Ele revela que espécies como pescada, camurim e bagre praticamente não existem mais na lagoa. E reclama da falta de políticas para reverter o quadro de descaso enfrentado por quem depende do ecossistema para subsistência. "Eu tenho dois barcos e pouco estou utilizando. A minha rede está rasgada faz tempo e não tenho condições de consertar. A pesca está muito fraca nesta região e nós não temos mais o que fazer", reclama.

José Luiz relata que, apesar das dificuldades do dia a dia, não deixa de se aventurar na lagoa a cada madrugada em busca do peixe ou do sururu. "Saio para pescar de quatro horas da manhã e só volto para descansar à noite. A minha esperança nunca morre de que um dia poderei ver essa lagoa viva de novo", comenta.

A mesma lamentação é feita pelo pecador, agora aposentado, Luciano Deodato, de 49 anos (e que está na profissão desde os 13). Ele diz que a situação da lagoa é deplorável e praticamente 'sem futuro'. Parou de pescar cedo devido a um Acidente Vascular Cerebral (AVC) que sofreu há cinco anos. Passou quatro anos recebendo benefício da Previdência Social, aguardando a aposentadoria por invalidez.

Deodato revela que os pescadores tiveram o seguro-defeso cortado há mais de um ano, o que desestabilizou ainda mais o orçamento das famílias que residem na orla lagunar. Segundo ele, o benefício reforçava a renda justamente quando as espécies da lagoa estavam em período de reprodução e proibidas de serem capturadas.

Apesar da inquietação dos nativos, ainda é comum verificar jovens, adolescentes e até crianças trabalhando na comercialização do sururu. No Dique Estrada, as barracas estão cheias da mercadoria, à espera dos clientes que param o tempo todo.

PESCADORES COBRAM DESASSOREAMENTO


				Mundaú devastada: Água deu lugar a chão rachado e rastro de poluição
FOTO: Ailton Cruz - Gazeta de Alagoas

Presidente da Colônia dos Pescadores Santo Antônio (Zona 4), Mauro Pedro dos Santos confirmou que o assoreamento e a poluição da Lagoa Mundaú têm preocupado e, ao mesmo tempo, afugentado os trabalhadores para outras atividades econômicas. Estes problemas, segundo ele, estão sendo discutidos internamente e levados ao conhecimento de autoridades ligadas ao meio ambiente e ao Poder Executivo com pedidos de providências urgentes.

"Vamos, ainda, convocar os pescadores da região de Fernão Velho, que considero a área mais crítica para a pesca, para um debate sobre os problemas enfrentados por cada um. E o resultado desta conversa será apresentado ao secretário de Agricultura e ao superintendente da Pesca em Alagoas. Os órgãos ambientais também são importantes para reforçar a fiscalização e evitar que a lagoa seja afetada ainda mais", informa.

Ele diz torcer para que se tomem medidas o quanto antes para o desassoreamento da Lagoa Mundaú. "Este trabalho chegou a ser anunciado, anteriormente, pelo governo federal, mas caiu no esquecimento. Considero a lagoa a maior fonte de renda que o Estado tem atualmente, porque é dela que brota o sururu. Este produto é responsável por sustentar milhares de famílias de várias cidades de Alagoas e ele não pode acabar", avalia.

Somente a Colônia dos Pescadores Z4 tem cerca de 500 associados. São homens que se utilizam da lagoa para garantir a subsistência. No entanto, a degradação do complexo tem obrigado muitos deles a aumentar o esforço para manter a renda. "Tem muitos pescadores que nem conseguem mais avançar em locais antes considerados bem fundos da lagoa. O assoreamento é muito grande e a lagoa está, literalmente, secando", alerta o presidente.

Mauro Pedro dos Santos ainda condena a invasão urbana como sendo um dos fatores mais danosos a este ecossistema. Ele atesta que várias espécies foram extintas da lagoa após a poluição e o assoreamento. Cita, como exemplo, tainha e pescada. A construção da ponte do Dique Estrada, aponta o presidente, é outro motivador do prejuízo ambiental.

"O poder público perde muito deixando de lado a lagoa. O pescador se adapta a qualquer lugar, mas os prejuízos são inúmeros. É um ecossistema que se perde devido à ação humana irresponsável. Além disso, ainda tem o desmatamento, o depósito de lixo diretamente na lagoa, que mata os peixes e faz com que o pescador migre para o comércio ou para construção civil, atuando como serventes de pedreiro", observa.

CAUSAS DA DEGRADAÇÃO SÃO ESTUDADAS

Por meio de nota, a Gerência de Fauna, Flora e Unidades de Conservação do Instituto do Meio Ambiente (IMA) em Alagoas informou que existem diversos fatores que sinalizam efeitos como a diminuição do espelho d'água pelos aterros e assoreamento, diminuição da contribuição de afluentes no complexo lagunar. Segundo o órgão, pesquisas feitas por técnicos da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) estão em fase de elaboração para traçar esse diagnóstico.


				Mundaú devastada: Água deu lugar a chão rachado e rastro de poluição
FOTO: Ailton Cruz - Gazeta de Alagoas

Há, também, um estudo batimétrico, feito pela Agência Nacional de Águas (ANA) em parceria com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), que mostra que, por ano, cerca de 280 mil toneladas de sedimentos vão parar nas lagunas. Na década de 1980, ressalta o órgão, foi realizado o Plano de Levantamento Ecológico e Cultural (PLEC) do complexo lagunar.

De acordo com o IMA, vários fatores tem provocado a degradação das lagoas. Cita, como exemplos, as ocupações irregulares, que degradam as margens onde deveriam existir a vegetação ciliar protetora; despejo de resíduos sólidos e efluentes das cidades; desmatamento e queimada de vegetação nativa protetora (manguezal); o assoreamento, que é consequência desses processos, que diminui a coluna d'água e compromete os processos ambientais desse ecossistema estuarino (e reflete na socioeconomia, pois afeta os recursos pesqueiros e o turismo).

E relaciona trechos considerados críticos. "Por exemplo, quanto a despejo de efluentes, a região da Levada é um ponto altamente preocupante, pois é próximo aos bancos de sururu. Quanto ao assoreamento, são diversos, os quais já comprometeram a navegabilidade e a dinâmica lagunar, com destaque para os canais internos. As ocupações irregulares estão praticamente em todas as áreas urbanas do complexo", informa Epitácio Correia, gerente deste setor do IMA.

Como soluções, o órgão ambiental sugere a revitalização dos rios por meio de ações como o saneamento das cidades ribeirinhas, a recomposição da mata ciliar e das nascentes seria uma ação essencial para que o complexo pudesse ser trabalhado. "Assim, estudos para ações de desassoreamento de trechos críticos podem ser pensados e concretizados, bem como a recomposição ciliar", recomenda o gerente.

[VIDEO3]

Para o IMA, o complexo lagunar Mundaú-Manguaba possui importância social, histórica, cultural, ambiental, turística, econômica e estratégica para o Estado. A dependência das condições ambientais é direta para todos esses aspectos. E reforça que, no que diz respeito à fiscalização, são feitos os monitoramentos semanais, principalmente nas áreas de maior influência antrópica.

"Partindo desse ponto, são levantadas o maior número de informações acerca das infrações ambientais e responsáveis (quando é possível identificar) para fomentar as ações de fiscalização por parte do setor responsável", reforça Correia.

Se tratando de fiscalização, a Gerência de Fauna Flora e Unidades de Conservação (GEFUC) informa que realizou, junto com Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), em setembro de 2016, uma operação aquática para avaliar e diagnosticar pontuais ações antrópicas irregulares nas áreas que competem a APA [Área de Proteção Ambiental] do Catolé e Fernão Velho e diretamente ao complexo lagunar. O monitoramento aquático no setor norte lagunar (Laguna Mundaú) na altura dos bairros de Fernão Velho e Rio Novo-Maceió, além dos municípios de Satuba, Santa Luzia do Norte e Coqueiro Seco, há dificuldade de navegação por causa do assoreamento da laguna, mas, mesmo assim, informa que foi possível realizar a ação na área.

O IMA adianta que, para 2017, novos monitoramentos aquáticos serão realizados na região, preferencialmente no período mais chuvoso, quando o volume da laguna aumenta mais um pouco, facilitando a navegação.

PROJETO NÃO PREVÊ DRAGAGEM DA LAGOA

A Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura (Seagri) informou que está desenvolvendo um projeto que visa monitorar as lagoas via satélite. O trabalho está sendo feito por professores da Ufal e técnicos do órgão e tem a intenção de fazer um diagnóstico da situação das lagunas ao ponto de possibilitar as autoridades do Estado a promover intervenções.

Outra ação seria implantar projetos do Parque Aquícola, com a proposta de resgatar a produção do sururu em Alagoas e incrementar a produção do pescado.

MUNICÍPIO - O secretário de Turismo de Maceió, Jair Galvão, explicou que o projeto 'De Frente para Lagoa', proposto pela prefeitura e que depende de autorização para financiamento pelo Banco Mundial, não contempla dragagem da Lagoa Mundaú. O gestor explica que o serviço onera recursos em valores bem altos.

"Poderíamos pensar numa investigação do que seria necessário para fazer a dragagem. Deixaríamos o projeto pronto com a identificação dos pontos mais críticos e buscaríamos os recursos necessários", avisa.


				Mundaú devastada: Água deu lugar a chão rachado e rastro de poluição
FOTO: Ailton Cruz - Gazeta de Alagoas

No entanto, segundo o secretário, o programa da prefeitura prevê uma série de ações voltadas às condições de pessoas que vivem às margens da lagoa. Serão novas habitações, alguns reassentamentos, intervenções de qualificações urbanas (Dique Estrada até Bebedouro), construção de vias, drenagem, pavimentação, saneamento, equipamentos públicos, de esporte, lazer, cultura e saúde, além de inclusões produtivas e treinamento.

"Captamos, também, um recurso do Fundo Multilateral de Investimentos, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), para atuar na economia circular. Vamos trabalhar com as comunidades que trabalham com a cadeia produtiva do sururu e com os pescadores da Favela de Jaraguá, adotando medidas particulares. A ideia é viabilizar a construção de uma depuradora de sururu (para ele ser filtrado e serem retiradas as impurezas) e trabalhar com o resíduo dele, que pode ser usado por outras alternativas", explica.

AGazetaweb não conseguiu contato com a Superintendência da Pesca em Alagoas, âmbito do governo federal, para tratar de questões pontuais, a exemplo do seguro defeso dos pescadores.

Tags

App +Gazeta

Confira notícias no app, ouça a rádio, leia a edição digital e acesse outros recursos

Aplicativo na Google Play Aplicativo na App Store
Aplicativo na App Store

Relacionadas