Morre Gesivan Rodrigues, dono da mais tradicional banca de revistas de Maceió

Durante 60 anos local foi referência para leitores de várias camadas sociais

Morreu na madrugada deste sábado (26), devido a problemas cardíacos, Gesivan Rodrigues Gouveia, dono da Banca de Revistas Nacional, uma das mais tradicionais de Maceió nos últimos 60 anos. Sempre bem abastecida, a banca, que fica na Praça do Montepio, no Centro, sempre foi uma referência para leitores de várias camadas sociais, mas notabilizou-se nos anos 70 e 80 pela especial clientela de intelectuais, artistas e políticos.
Durante o regime militar, a Nacional passou a ser o ponto de encontro dos leitores do semanário Pasquim, que sempre estava sujeito a apreensões pela Polícia Federal. Na banca de Gesivan, formavam-se rodas de conversa em que se discutia a censura.
Em depoimento à Comissão da Verdade dos Jornalistas, Gesivan lembrou que os agentes chegavam, prendiam os jornais e o levavam para a Polícia Federal, que ficava no Mirante de São Gonçalo. 
No início dos anos 80, a ditadura já estava enfraquecida, mas continuava a tratar os jornais da chamada imprensa alternativa como inimigos. Bancas de revistas passaram a sofrer atentados em todo o País. A Banca Nacional foi danificada com uma tentativa de incêndio, mas continuou expondo os tabloides de oposição. Graças ao apoio das organizações que lutavam contra a ditadura, manteve-se como um dos poucos que vendeu do primeiro ao último exemplar do Pasquim.
"Houve uma época que houve quebra-quebra de banca. Naquela época houve um movimento muito forte por aqui. O Aldo Rebelo se juntou com o pessoal do PCdoB e fez um movimento aqui, que reuniu muita gente. Era contra a Ditadura, que estava incendiando as bancas. Eu recebi várias ameaças, mas o movimento em apoio a minha banca fez baixar a pressão. Mas tentaram incendiar. Eles também vinham e arrancavam os cartazes que eu colava, mas depois do ato eles não vieram mais aqui", contou Gesivan.
O veterano jornaleiro considerava a Gazeta de Alagoas uma espécie de termômetro, que mede a importância das principais notícias de Alagoas. Segundo ele, sua relação com o jornal era excelente. "Ela é amiga da gente, amiga de todos. Vendo todos os 365 dias do ano, feriado e tudo mais", declarou na ocasião dos 80 anos do jornal.
Como um exímio dono de banca de jornal, ele disse que lia de tudo, mas atentou que o que mais circula entre os leitores era a Gazeta de Alagoas. "São muitos anos de inúmeras histórias, que passaram e passam por ele."

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