Manifestantes pró e contra Dilma fazem vigília em Maceió para acompanhar votação

Análise de processo de impeachment pretende mobilizar milhares de pessoas nas orlas de Pajuçara e Ponta Verde

Manifestantes de diversas categorias e sindicatos se concentram neste domingo (17), nas orlas de Ponta Verde e da Pajuçara, em Maceió, quando fazem uma vigília para assistir à votação que autoriza ou não a abertura do processo de impeachment pela Câmara Federal, por volta das 14h. Em frente ao Alagoinhas, vão se concentrar os que querem a saída da presidente e, em frente ao Iate Clube Pajuçara, o movimento pró-Dilma. Telões foram montados nas calçadas e a expectativa é de que milhares de pessoas tomem conta da orla neste dia histórico. 
A reportagem da Gazetaweb foi até a Pajuçara conversar com manifestantes que vieram de várias regiões do estado. Silvânia Batista, membro do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), veio de União dos Palmares para lutar em defesa da presidente. Ela disse, em entrevista, que saiu de casa para brigar pelos direitos dos brasileiros.

Manifestantes vão acompanhar votação por meio de um telão  - Foto: FOTO: Ruana Padilha

"Se a Dilma sair do poder, nós pobres não teremos nenhuma chance. Vim aqui para lutar pelo que é meu e de todos. Só conseguimos com ela lá", disse a militante.
Para o advogado e professor de História da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Ubirajara Oliveira, as manifestações representam não mais que uma luta de classes. "Não dá mais para suportar a briga de classe, a luta do rico contra o pobre. Essa manifestação que pede o impeachment é apenas raiva do que tem dinheiro em relação àquele que alcançou algumas melhorias. Eles (os ricos) dominaram por quinhentos anos e, agora, estão com raiva dos pobres por terem seus direitos reconhecidos. Portanto, a gente veio aqui para lutar contra a elite dominante", comentou o professor.

Trabalhadores rurais aguardam votação pela abertura do impeachment - Foto: FOTO: Ruana Padilha

Sandra Lira, uma das organizadoras do ato "Em Defesa da Democracia - Frente Popular", afirmou que o ato deste domingo não ganha as ruas, considerando que os cidadãos irão se concentrar em frente ao Iate, em forma de vigília, para acompanhar a votação, que tem início às 14h.
"Iremos acompanhar a votação e convidar a população a nos acompanhar. Estamos aqui em um ato cívico e pacífico por nossos direitos", disse Sandra.  
Contra
A reportagem também foi até a Ponta Verde, onde falou com alguns manifestantes que desejam o impeachment, argumentando ser a melhor solução para o país, que vive uma crise sem precedentes. Antônio Soriano, engenheiro, disse que a queda do PT é um marco para o início do fim da corrupção. 
"Hoje estamos reunidos para o coroamento de todo o trabalho realizado desde o primeiro protesto. Estamos lutando para melhoria de toda a população, para que todos tenham as mesmas oportunidades. Sou contra os corruptos, não tenho partido político. Devemos derrubar esse governo, pois é o símbolo da corrupção", disse o engenheiro. 
Por sua vez, a dentista Tânia Morais afirma que está confiante com a queda do governo, mas teme alguma mudança das indicações de voto dentro dos partidos. "Vivemos em um país tão corrompido que não conseguimos confiar firmemente nas coisas. Porém, estamos aqui lutando contra Lula, um dos maiores corruptos do Brasil. Conhecemos a história e vimos o que eles fizeram, de onde ele veio e como colocou a Dilma no poder. Estamos lidando com uma facção criminosa e é contra isso que estamos lutando", comentou. 

Manifestantes pedem a saída da presidente Dilma Rousseff - Foto: FOTO: Ruana Padilha

De acordo com o organizador do Movimento contra a presidente, Henrique Arruda, um grande número de pessoas vai se concentrar na orla, pedindo o impeachment de Dilma. "As pessoas querem colaborar e participar, então, conseguimos dezoito carretas e um pequeno trio elétrico para fazer essa passeata convocando a população", explicou o militante. 
Os protestos são pacíficos e contam com bandeiras de movimentos sociais, do Brasil e do PT. Dois telões vão ser montados nas calçadas para que o público acompanhe todo o processo de votação de abertura ou não do processo de impeachment. As Polícias Civil (PC) e Militar (PM) estão no local, para evitar tumultos e outras ocorrências de maior gravidade. Agentes da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) controlam o fluxo de veículos. 

Protesto do movimento contra Dilma se concentra em frente ao Alagoinhas - Foto: FOTO: Ruana Padilha