Mães universitárias encontram apoio no cuidado dos filhos enquanto assistem aula
Proposta conhecida como Remad teve início em abril de 2018 e conta com 40 voluntários
Entrar na universidade e descobrir que está grávida ou já ser mãe e querer buscar um futuro melhor ao ingressar no ensino superior. São duas realidades vividas por muitas mulheres que caminham todos os dias pelos corredores das instituições com livros em um braço e um bebê no outro.
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Elas, que, entre uma mamadeira e outra, aprendem um novo conceito ao virar a página de um livro. São mulheres que lutam diariamente por um cronograma que se divide entre estudar e estar presente para o filho. Algumas delas não têm condições de pagar uma creche e precisam ter uma jornada mais 'corrida'.
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A estudante de nutrição Elisabeth Priscila, de 25 anos, precisava faltar aula e quase perdeu um período devido a isso. "Tinha dias em que minha mãe sentia dores na coluna e eu precisava ficar com ele. Atualmente, minha mãe já não pode mais me ajudar por causa dos problemas de saúde."
No entanto, tanto ela como outras estudantes da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) foram beneficiadas com um projeto gratuito em que podem confiar e está, literalmente, ao lado da sala de aula. O grupo foi nomeado como Rede Mãos Dadas em Apoio às Mães Universitárias, popularmente conhecido como Remad.


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De acordo com uma das organizadoras do projeto e estudante de enfermagem, Jaqueline Montenegro, de 21 anos, a nomenclatura escolhida representa a ideia principal de união e solidariedade. "É muito comum a gente falar que quando ingressamos na universidade é cada um por si. O Remad vem contra isso. Somos pessoas e cada um tem suas dificuldades, porque não nos unir pra se ajudar. Daí vem o 'rede' que tem no nome".
Nele, ainda segundo ela, as mães podem deixar os filhos das 8h até as 12h e, após um período de almoço, as crianças voltam e ficam das 13h30 até as 16h30. Os 40 voluntários vindos de diversas faculdades de Maceió se dividem entre os turnos para deixar os pequenos confortáveis e entretidos enquanto aguardam a volta das mamães.
Atualmente, o grupo atua nohall do bloco onde está localizado o curso de enfermagem. Todos os dias, os alunos organizam o lugar e realizam brincadeiras, contam histórias, fazem peças teatrais, colocam as crianças para dormir e até dão banhos - após a autorização da mãe.

Elisabeth, mãe do pequeno Miguel, de um ano e dois meses, revelou que o filho está no projeto desde novembro de 2018 e que a ação foi uma das melhores coisas que aconteceu em sua vida.

