Mãe de 11 filhos supera perda auditiva, conclui mestrado aos 44 anos e inicia nova carreira na saúde mental
Heather Porter enfrentou uma doença autoimune, passou por cirurgia para implante coclear, criou uma família de 11 filhos e agora se prepara para atuar como psicoterapeuta licenciada nos Estados Unidos

Quando subiu ao palco para receber o diploma de mestrado, Heather Porter não comemorava apenas uma conquista acadêmica. Aos 44 anos, ela encerrava um período marcado pela criação de 11 filhos, pela perda progressiva da audição e por uma longa adaptação ao uso de um implante coclear.
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Na plateia, nove de seus filhos acompanhavam a cerimônia realizada em abril de 2026, na Grand Canyon University, em Phoenix, no estado do Arizona. A formatura simbolizava o fim de uma etapa e o início de outra: a preparação para atuar como psicoterapeuta na área de saúde mental.
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A perda auditiva começou durante a faculdade
Os primeiros sinais surgiram em 2020, quando Heather ainda cursava a graduação.


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Ela passou a ter dificuldade para compreender o que as pessoas diziam, sem imaginar, inicialmente, que a causa era uma doença autoimune do ouvido interno.
Após exames, recebeu o diagnóstico e ouviu dos médicos que poderia perder completamente a audição em cerca de seis meses.
Estudar e cuidar de uma família numerosa
Naquele período, Heather conciliava a universidade com uma rotina intensa em casa.
Os filhos tinham entre 2 e 26 anos, reunindo crianças pequenas, adolescentes e adultos jovens sob o mesmo teto.
A perda auditiva tornou tarefas simples mais difíceis e afetou a comunicação familiar. Mesmo assim, ela decidiu continuar os estudos enquanto buscava formas de adaptação.
O implante trouxe uma nova chance
Para recuperar parte da audição, Heather recebeu um implante coclear, dispositivo que transforma sons em estímulos elétricos enviados ao cérebro.
O equipamento permitiu que ela continuasse frequentando as aulas e mantivesse a rotina familiar.
Cerca de um ano e meio depois, porém, começaram a surgir dores de cabeça, suor excessivo em ambientes barulhentos e outros sintomas que, inicialmente, não foram relacionados ao implante.
Um acidente revelou o problema
A situação mudou após um acidente de carro.
Com o agravamento dos sintomas, novas avaliações mostraram que o componente interno do implante não estava funcionando corretamente.
O dispositivo precisou ser substituído em agosto de 2024, justamente quando Heather cursava o mestrado e seguia responsável pelos cuidados com os filhos.
A língua de sinais já fazia parte da vida dela
Muito antes de perder parte da audição, Heather já conhecia a Língua de Sinais.
Durante a faculdade de música vocal, ela aprendeu a se comunicar dessa forma e chegou a trabalhar como intérprete.
Esse conhecimento ganhou um novo significado quando uma das filhas adotivas, que tem paralisia cerebral e não conseguia falar por causa do comprometimento dos músculos da boca, passou a utilizar sinais para se comunicar com a família.
Uma família construída entre adoções e nascimentos
Heather e o então marido decidiram adotar crianças após enfrentarem diversos abortos espontâneos.
O primeiro passo foi acolher quatro irmãos ao mesmo tempo, evitando que eles fossem separados.
Posteriormente, ela teve seis filhos biológicos e realizou uma nova adoção em 2024, formando uma família com 11 filhos.
O mestrado continuou apesar das dificuldades
Mesmo diante dos desafios familiares e dos problemas de saúde, Heather não interrompeu a formação.
Ela relata que houve momentos de desânimo, choro e incerteza, mas encontrou motivação justamente no apoio dos filhos para seguir estudando.
O esforço culminou na conclusão do mestrado em aconselhamento clínico de saúde mental, celebrado durante a cerimônia de formatura ao lado da família.
A carreira ainda está começando
Embora tenha concluído o curso, Heather ainda precisa cumprir um período de atendimentos supervisionados antes de solicitar a licença profissional que permitirá atuar de forma independente como psicoterapeuta.
Somente após essa etapa ela poderá exercer plenamente a profissão nos Estados Unidos.
A experiência de vida como parte da trajetória
Heather afirma que pretende continuar se aperfeiçoando e, no futuro, desenvolver treinamentos e projetos de atuação internacional.
Sua história reúne maternidade, adoção, acessibilidade, perda auditiva e formação acadêmica em um mesmo percurso.
Essas experiências não substituem a preparação técnica exigida para a profissão, mas ampliam sua compreensão sobre os desafios enfrentados por pessoas que convivem com deficiência, dificuldades de comunicação e questões relacionadas à saúde mental.
Ao receber o diploma cercada pelos filhos, Heather encerrou uma fase marcada por superações pessoais e iniciou outra, agora dedicada a transformar conhecimento e experiência em apoio a outras pessoas.
