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Maceió sedia congresso internacional sobre inovação e propriedade intelectual

Primeiro dia reúne pesquisadores de todo o Nordeste em torno de temas como patrimônio genético, biodiversidade e biopirataria

Pelo menos 20% de toda a biodiversidade de todo o planeta está no Brasil. Como transformar toda essa riqueza natural em negócios inovadores é uma das questões cuja complexidade está sendo explorada por aproximadamente 400 participantes de todo o país no 8º Congresso Internacional do Programa de Pós-Graduação em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para a Inovação - Profnit.

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O evento começou nesta segunda (13), na Casa da Indústria (FIEA), no Farol, com um treinamento do Ministério do Meio Ambiente voltado para cientistas da biodiversidade nordestinos. A capacitação é para o SisGen, o Sistema de Gestão do Patrimônio Genético e do Conhecimento Tradicional Associado.

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Os gestores do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Diego Souza e Thiago Zeidan, explicam que a questão tem a ver com a soberania nacional sobre seus próprios recursos naturais, e que o patrimônio genético diz respeito a todas as espécies animais e vegetais brasileiras, e ao conhecimento relativo a elas.

"Atualmente, temos no Brasil 350 etnias indígenas e mais de 40 denominações de comunidades e povos tradicionais que possuem conhecimentos associado a essa biodiversidade", explica Diego Souza, e Thiago acrescenta que "a comunidade já sabe como utilizar uma espécie: quando o pesquisador chega lá, já há uma etapa a menos para pesquisar esse conhecimento na perspectiva de desenvolver uma inovação".

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Legalidade

A questão agora é como integrar os saberes tradicionais com a pesquisa científica produzida atualmente, garantido tanto a proteção das espécies animais e vegetais quando a propriedade intelectual do conhecimento produzido sobre elas, bem como a justiça na exploração econômica das mesmas.

A título de ilustração, 75% dos fármacos utilizados no planeta, atualmente, são originalmente baseados em conhecimentos de povos tradicionais. No entanto, a patente deles não considera essas fontes, e raramente reporta as espécies utilizadas ao seus países de origem.

Esse tipo de situação é conhecido como "biopirataria" e desde a Eco 92 tem sido uma preocupação crescente no Brasil e na comunidade internacional; além de documentos de regulação internacional, o processo na país culmina  com a lei da Biodiversidade, de 2015, que regulamenta as atividades econômicas relativas à pesquisa e inovação ligadas ao patrimônio genético e saberes tradicionais. O SisGen é uma ferramenta voltada às atividades práticas que essa legislação regula.

Relevância Nacional

O pesquisador Ticiano Nascimento, professor da Ufal e doutor em produtos naturais e sintéticos bioativos, é um dos principais especialistas em Própolis Vermelha de Alagoas, um produto diretamente ligado ao mangue do estado e com propriedades químicas únicas, que vem proporcionando descobertas promissoras sobre a sua aplicação em tratamentos de saúde, mas também nas indústrias de cosméticos e alimentos.

O farmacêutico avalia o treinamento como bem-vindo, explicando que grande parte das pesquisas inovadoras do país envolvem biodiversidade, mas a maioria dos pesquisadores ainda tem grande dificuldade para se regularizar com o SisGen.

"O treinamento vem nos deixar mais acobertados em termos de realizar pesquisa, inovação e gerar modelos de negócio, mas também levar em conta a forma regularizada de se valer do meio ambiente", explica o farmacêutico. "O SisGen separa um pesquisador daquele que é biopirata".

Programação Diversa

O 8º ProspectCT&I; conta com uma programação extensa de cursos, palestras e oficinas, até a próxima segunda (19). Finalizando a parte internacional do evento, acontece ainda o XV Seminário Brasil-Portugal - Internacionalização de Empresas, Empreendedorismo, Inovação e a Transformação Digital. As reuniões do Congresso acontecem no auditório da Casa da Indústria (FIEA). Inscrições e mais informações podem ser obtidas no endereçohttp://www.profnit.org.br.

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