Hospital Universitário diz que trigêmeos morreram devido à prematuridade
Filhos de uma adolescente de 16 anos, bebês nasceram no Centro Obstétrico por falta de vagas na UTI Neonatal
Parte da equipe médica da maternidade do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPPA) concedeu entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (21) para falar sobre a morte dos trigêmeos nascidos na unidade no último dia 13. Devido à superlotação na UTI Neonatal, eles nasceram no Centro Obstétrico (CO).
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Segundo a pediatra neonatal Elisangela de Sousa, a lotação da UTI já estava acima da capacidade, que é de dez leitos. Ela diz, porém, que os bebês, que nasceram de cinco meses, tiveram total atenção da unidade hospitalar, desde o acompanhamento intrauterino até o falecimento.
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"Eles nasceram no CO devido à falta de vaga na UTI, mas depois foram transferidos para a UTI. Entretanto, queremos deixar claro que jamais o hospital foi negligente, deixou de prestar a assistência. Inclusive, o espaço inadequado para o nascimento não deu causa nem acelerou a morte dos bebês", informou a pediatra
Questionada sobre o motivo do óbito, a médica afirmou que ele se deu pela prematuridade extrema, já que o nascimento aconteceu aos cinco meses, associada a uma má-formação.


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Também presente à coletiva, o chefe da maternidade do HU, Felipe Albuquerque, salientou que a gestante teve acompanhamento desde o momento em que procurou a unidade, vindo a ser internada e monitorada até o parto. Esse espaço de tempo foi de cerca de três semanas.
"Acompanhamos a adolescente com ultrassonografia para avaliar a oxigenação e outras questões da gravidez. Quando chegou a um limite, a pediatria foi contactada e o parto se deu no mesmo dia com a devida atenção que o caso exigiu", explicou o médico, que lamentou a superlotação na unidade, algo, segundo ele, corriqueiro.
A superintendente do Hospital Universitário, Regina Maria dos Santos, fez críticas ao poder público e disse que o Estado precisa se movimentar. "A superlotação da UTI não é novidade e as questões relacionadas a isso não dependem de nossa vontade. A gente sabe que há poucos leitos na UTI, realidade idêntica a outras maternidades do Estado".
Ainda de acordo com Regina, hoje a UTI neonatal está com 11 bebês para dez leitos. "A quantidade de meninas que engravidam atualmente é muito grande. Em obstetrícia, não se vê rotina, tudo é novidade. A previsibilidade na obstetrícia é sempre estar pronto para tudo. E realmente estamos prontos, inclusive, mantemos contato direto com o Cora e todas as maternidades", expôs.
Mortes
Os trigêmeos nasceram no último dia 13 e ainda chegaram a ficar internados na UTI do Hospital Universitário, mas não resistiram. Já a mãe, uma adolescente de 16 anos passa bem, apesar do abalo sofrido com a perda do recém-nascido.
A morte do primeiro trigêmeo aconteceu na segunda-feira (15), com a segunda registrada no domingo (18), após a equipe médica lutar para que todos ganhassem peso de forma mais rápida, o que permitiria a evolução do quadro clínico dos bebês prematuros. O terceiro não resistiu e morreu ontem.
O drama da família, no entanto, estendeu-se à dificuldade de acesso a um leito na Unidade de Terapia Intensiva do HU, já que os trigêmeos foram internados somente na quarta-feira (14), um dia após o nascimento. Na ocasião, familiares da menor denunciaram que o hospital estava sem leitos para receber os recém-nascidos.
