HGE vai abrir sindicância para apurar suposta morte de paciente por coronavírus
Filha de paciente que faleceu ficou indignada por ter causa de morte da mãe categorizada como Covid-19
Não dá para negar que os nervos da sociedade estão à flor da pele em meio à uma pandemia que força parte da população a ficar em casa como forma de prevenir a proliferação do coronavírus. A questão é o dia a dia nos hospitais, que tiveram sua rotina alterada e que ainda sofrem para adequar os seus profissionais, mais desgastados que o normal, num momento como esse.
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Nesse contexto, perder um ente se torna ainda mais delicado. Agora, imagine a angústia por saber que sua mãe, cardíaca, teve como causa da morte, na certidão de óbito, a Covid-19. Foi o caso de Leiliane Cecília Silva, que perdeu a mãe, Petrúcia Maria Silva, de 61 anos, no mesmo dia em que ela deu entrada no Hospital Geral do Estado (HGE).
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Leiliane logo se desesperou. "Veja bem, esse papel aqui está carimbado pela doutora e a documentação que eu tenho falando tudo, aqui também é um papel falando que a minha mãe faleceu de problema no coração, do coração. E aí, eles [HGE] fizeram laudo e tudo, mas eu fui lá procurar saber na recepcionista algo e ela veio com agressão para o meu lado. Eu segui ela [sic], ela entrou na fila onde estavam os corpos, e ela colocou escrito, à mão, como Covid-19".
A filha ficou indignada, uma vez que, segundo testes realizados anteriormente, o problema da mãe era cardíaco. "Eu estou aqui reivindicando o meu direito, porque esses governadores estão matando as pessoas. Nós não podemos mais nem sepultar nossos entes queridos. Tá aí o HGE, em Maceió, não internem ninguém lá, porque lá é um matadouro, vocês vão se arrepender. Eles estão colocando tudo como Covid-19, como coronavírus. Vocês vão me pagar!", conta, aos gritos, em vídeo disponibilizado àGazetaweb (veja abaixo).


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Tempos depois, Leiliane tomou conhecimento de algo que muita gente ainda não sabe: uma determinação do Ministério da Saúde exige que todo óbito que vier a acontecer nas unidades hospitalares, enquanto durar a pandemia, seja considerado caso suspeito de coronavírus, já que os hospitais têm alto índice de contágio.Os velórios também estão sendo obrigados a seguir as regras de isolamento social.
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Mesmo assim, Leiliane conta que a recepcionista agiu com represália quando ela quis saber de maiores informações sobre o falecimento de dona Petrúcia. "Está errado isso. Vocês estão ganhando pra quê? Pra mentir pra sociedade? Eu segui ela, ela anotou o caso da minha mãe como Covid-19. A minha mãe morreu de problema no coração, mas ela, com raiva de mim, colocou como Covid-19 na minha mãe", afirma.
O problema trouxe à tona a falta de preparo de alguns funcionários de hospitais. Enquanto a questão é resolvida e os profissionais são capacitados para lidar adequadamente com a situação, o HGE se pronunciou sobre a morte de Petrúcia Maria Silva, informando que vai apurar a denúncia de Leiliane.
Confira a nota:
NOTA DE ESCLARECIMENTO
Petrúcia Maria da Silva
O Hospital Geral do Estado (HGE) esclarece que a declaração de óbito da usuária Petrúcia Maria da Silva, de 61 anos, falecida no último dia 26, às 22h, tem Síndrome Respiratória Aguda Grave, como uma das causas da morte, além de Síndrome Coronariana Aguda. Onde, uma das suspeitas da Síndrome Respiratória Aguda Grave pode ser por Covid-19.
A paciente, cardíaca, deu entrada no HGE no mesmo dia (26), às 16h34, encaminhada pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Tabuleiro. Seguindo o Protocolo do Ministério da Saúde (MS), o hospital fez a suspeita da doença, coletando material biológico para a realização do exame PCR, cujo resultado ainda não chegou.
O HGE explica que, mesmo sem a confirmação de que a morte é pelo novo coronavírus, todo paciente que vem a óbito por Síndrome Respiratória Aguda tem a tratativa do corpo semelhante ao paciente confirmado por Covid-19. E esclarece ainda que, a família é orientada, durante o reconhecimento do corpo da vítima, a seguir o Protocolo do MS para a Covid-19, que prevê cuidados especiais referentes ao manejo de corpos no contexto do novo coronavírus. No que se refere ao tratamento dispensado a familiar da paciente, o HGE informa que irá abrir uma sindicância para apurar a suposta negligência.
