Hemoal teve 700 doadores de sangue a menos somente no ano passado
Banco precisa manter estoque satisfatório para carnaval quando as demandas cresce. 70% do sangue vai para o HGE
O trabalho de levar, a cada ano, mais pessoas a doarem sangue é incansável. Fazer com que alguém se desloque até o banco de sangue para exercer um ato sem esperar nada em troca pode ser resumido apenas em uma palavra: solidariedade. Em Alagoas, o ano passado teve uma queda de doadores em relação a 2014. De 31.447 doações, o número caiu para 30.708, segundo o Centro de Processamento de Dados do Hemocentro de Alagoas (Hemoal).
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A diferença de 739 doadores podeparecer pequena num universo de mais de 30 mil pessoas, mas faz a diferença no volume de vidas que podem ser salvas a cada doador. "O sangue é parte estratégica no salvamento. A depende do grau de comprometimento do paciente, a complexidade do trauma, o sangue pode ser decisivo no atendimento", explicou a gerente do Hemoal, Verônica Guedes.
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Com a chegada do Carnaval, a demanda no hemocentro cresce. Junto das festas de fim de ano é nesse período que o número de acidentes aumenta, surgindo uma necessidade ainda maior de sangue disponível para uso imediato. A gerente do Hemoal diz que 500 bolsas é um estoque seguro para o Carnaval. "Para outros períodos do ano, 300 bolsas atendem as demandas. Temos uma média de 160 doadores por dia, contando com a coleta externa (feita nos ônibus do centro), além do ponto no Hospital do Açúcar e em Coruripe, onde disponibilizamos a coleta às terças e quintas-feiras".
Em Alagoas, quase 70% do sangue do Hemoal é encaminhado ao Hospital Geral do Estado (HGE) e a vinte e três hospitais de Maceió e da 1ª macroregião, que inclui 56 municípios do Litoral Sul, Norte, e parte do Vale do Paraíba e Baixo São Francisco, somando uma população de mais de 2 milhões de habitantes.


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Perfil do doador
O perfil do doador em todo país segue uma tendência. Segundo o Hemoal, a maioria é de homens, jovens entre 20 e 30 anos, de uma classe econômica mais baixa. "Acreditamos que o nível cultural e social também reflete muito nos números de doações. Como classes menos favorecidas economicamente doam mais, às vezes muitos deles não vêm porque não têm condições de se alimentar ou até mesmo o dinheiro da passagem para o deslocamento", explica Edilene Sampaio, assessoria de hemoterapia do Hemoal.
O banco de sangue do Hemoal tem quatro estágios para monitorar o estoque de sangue: crítico, mínimo, adequado e seguro e para mantê-lo sempre num estágio que possa atender às necessidades, o Núcleo de Captação de Doadores que monitora a família dos pacientes que já receberam sangue - por enxergá-lo como possível doador -, faz convocação por telefone acessando ao cadastro de doadores do hemocentro, além de organizarem palestrar educativas e divulgar o trabalho nas redes sociais, onde esclarecem dúvidas e acabam com os mitos que envolvem a doação.
Bom exemplo

A prestação de serviço de cada cidadão tem importância sem tamanho para quem recebe. E é no desprendimento que mora o segredo de doar, como a própria palavra sugere: prestativa, gratuita, despretensiosa. O professor Lucius Marcus é um exemplo desse exercício de cidadania. Doador regular há 12 anos, o funcionário público tem 39 e não pretende parar tão cedo. "Enquanto tiver condições física e de saúde de doar sangue, farei", resumiu.
Lucius contou que sempre teve vontade de doar, mas a desinformação o afastou por algum tempo, depois que esclareceu todas as dúvidas nunca mais deixou de comparecer, cerca de quatro vezes por ano ao Hemoal. "Não há nenhuma gratificação material na doação, a não ser a maior delas que é o interesse de ajudar do outro", disse. Ele costuma doar no Carnaval, São João, no Dia Mundial do Doador de Sangue - comemorado no dia 14 de junho - e em outro período de acordo com a disponibilidade.
"Certa vez fui doar e encontrei duas senhoras na sala de espera do Hemoal, elas me pediram para doar a um parente que precisa de sangue, atendi ao pedido e fiquei satisfeito em poder ajudar alguém de forma ainda mais próxima", relatou Lucius.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que se de 3 a 5% da população doar sangue não faltarão bolsas nos estoques. Em Alagoas esse percentual está bem abaixo do mínimo, girando em torno de 1,6 e 1,7%. "A melhor forma de saber a importância desse ato é se percebendo como um possível receptor de sangue: saber que um dia você pode precisar, é um ótimo caminho entender a necessidade do outro", resumiu Verônica Guedes, do Hemoal.
Serviço
Para doar sangue é só comparecer ao Hemoal, na Rua Doutor Jorge de Lima, 58, Trapiche da Barra, Maceió, Alagoas, ao lado do HGE. O doador precisa ter idade entre 16 e 69 anos, acima de 50 quilos, não precisa estar de jejum, evitar consumo de álcool 12 horas antes da doação e levar documento pessoal com foto. Mais informações no telefone 3315.2106.
