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Dia Mundial da Água: Estudo mostra que rios de Alagoas têm água regular

SOS Mata Atlântica analisou nove rios alagoanos e qualidade de todos deixou a desejar; IMA inicia coletas regulares a partir de abril

No Dia Mundial da Água - comemorado nesta quinta-feira (22) -, Alagoas tem pouco a comemorar: além das costumeiras línguas sujas que vez por outra dão as caras pelas praias da capital, agora são os rios alagoanos que também passam por uma situação complicada. Pelo menos é o que demonstra um estudo recente da Fundação SOS Mata Atlântica. Todos os analisados pela instituição apresentaram qualidade da água apenas regular.

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Os dados, divulgados na última segunda-feira (19), estão no relatório "Observando os Rios 2018 - O retrato da qualidade da água nas bacias da Mata Atlântica", um panorama sobre as fontes de água doce de todo o Brasil. Por aqui, foram dez pontos de coleta localizados nas cidades de Maceió, Passo de Camaragibe, Penedo, Porto de Pedras e São Miguel dos Milagres.

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O estudo foi feito entre entre março de 2017 e fevereiro deste ano e contempla nove rios - Riacho Doce e Pratagy, Camaragibe, Manguaba, São Francisco, Lages, Tatuamunha, Fonte Grande e Nilo.  Tanto as coletas quanto as análises foram feitas por grupos de voluntários do programa comandado pelo SOS Mata Atlântica, sob a supervisão técnica da própria fundação.


				Dia Mundial da Água: Estudo mostra que rios de Alagoas têm água regular
FOTO: Divulgação

Entre os que se voluntariaram para o trabalho estão o Instituto Biota, a Associação Peixe Boi, a ONG Jovens Protagonistas, a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e a própria Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh). O IMA, Instituto do Meio Ambiente, não participou da pesquisa, mas diz que também realiza um trabalho nos rios de Alagoas.

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Segundo o órgão, já foram feitas coletas inclusive a partir de demandas do Ministério Público Estadual de Alagoas (MPE), principalmente para apuração de denúncias. A partir de abril, porém, esses diagnósticos passam a ser constantes e trimestrais, com a geração de quatro relatórios por ano, como explica o gerente do Laboratório da entidade, Manuel Messias.

"O instituto realiza periodicamente, até então, o monitoramento e análise da qualidade de 63 pontos nas praias alagoanas. Porém, após acordo feito por meio de termo de cooperação técnica entre Ministério do Meio Ambiente e governo do estado, representado por IMA e Semarh, serão monitorados também todas as bacias hidrográficas dos rios a partir de abril".

Ele afirma que, em geral, os indicativos sobre os rios locais que se encontram no limite máximo permitidos de parâmetros - entram na conta Fosforo total e Coliformes Termotolerantes. O gestor esclarece que as amostras seguem análise microbiológicas semelhantes àquelas coletadas no mar, que seguem o que determina Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama 296/2000).

Qualidade da água

Segundo Cesar Pegoraro, educador ambiental do SOS Mata Atlântica, a qualidade de água regular é uma tendência na região desde o ciclo de monitoramento anterior, realizado em 2017. Apesar de não estarem entre a classificação péssima ou ruim, o órgão reforça, no relatório, a necessidade de alertar para a condição ambiental dessas microbacias hidrográficas.


				Dia Mundial da Água: Estudo mostra que rios de Alagoas têm água regular
FOTO: Divulgação

"Os rios analisados estão junto à foz das principais sub-bacias de Alagoas, fazendo com que sua qualidade de água influencie a condição de balneabilidade, nos ambientes e ecossistemas costeiro e marinho, na pesca, na disponibilidade hídrica e na saúde das comunidades", destaca o documento.

O gerente de Laboratório do IMA, Manuel Messias, considera a análise como satisfatória, mas ele também ressalta ser preciso cuidado dos órgãos envolvidos direta ou indiretamente com a gestão da água doce em Alagoas. Na opinião dele, é preciso redobrar a atenção para que a situação não seja deteriorada, principalmente devido à quantidade de esgotos sanitários que jogados diretamente nos rios.

Uma situação que afeta, por exemplo, a saúde de populações ribeirinhas. "Isso interfere bastante, inclusive na qualidade do que é pescado pela microbiota e principalmente pela carga orgânica que contempla a concentração elevada de coliformes", aponta o gestor. "Requer atenção o controle operacional das estações de tratamento de esgoto", completa.

Ele acrescenta que, além das coletas regulares a partir de abril, o Instituto do Meio Ambiente também realiza outras ações. "O IMA passará a realizar esse monitoramento da qualidade da água e dos efluentes tratados e tem realizado fiscalizações, além de controle na liberação de licenças ambientais das estações de tratamento. Temos intensificado ainda as ações de educação ambiental junto às populações ribeirinhas".

Cenário nacional


				Dia Mundial da Água: Estudo mostra que rios de Alagoas têm água regular
FOTO: Divulgação

A edição 2018 do estudo avaliou 230 rios, córregos e lagos de bacias hidrográficas da Mata Atlântica em todo o Brasil. Os resultados não são nada animadores: apenas 4,1% (12) dos 294 pontos de coleta avaliados possuem qualidade de água boa, enquanto 75,5% (222) estão em situação regular e 20,4% (60) com qualidade ruim ou péssima. O levantamento foi realizado em 102 municípios de 17 estados, além do Distrito Federal.

"Para que os indicadores possam se traduzir em metas progressivas de qualidade da água nos milhares de rios e mananciais das nossas bacias hidrográficas, é fundamental que a Política Nacional de Recursos Hídricos seja implementada em todo território nacional, de forma descentralizada e participativa", opina a coordenadora do estudo e especialista em Água da Fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro.

O programa Observando os Rios surgiu em 1991, com uma campanha que reuniu 1,2 milhão de assinaturas em prol da recuperação do Rio Tietê e que originou o primeiro projeto de monitoramento da qualidade da água por voluntários, o "Observando o Tietê". Para agregar outras bacias hidrográficas, a iniciativa foi ampliada. Ao todo, 3,5 mil voluntários participaram.

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